sábado, 30 de maio de 2015

Copo Político - Época de resignação.

Vivo uma época de resignação revoltada. Isto ao contrário dos resignados a serem revoltados. Vejo os campos de futebol cheios. Vejo os cofres cheios. Vejo na televisão que tudo vai mal, para ir bem, na notícia seguinte. Vejo um partido plantar candidatos. Vejo os senhores do futebol serem acusados. Vejo-me resignado a ser um instrumento do poder que finge ser benévolo.
Atiram-se cheques pela janela dos fundos… Mas na montra estão ideias sem cobertura.
Estou resignado a ver tudo do assento, em frente à televisão, em frente ao gira-discos herança nova de uma geração saudosista.
Oiço, com a raiva, políticos a falarem, pseudo-políticos afirmarem, pretendentes a deputados inventarem, todos em simultaneamente gritarem “eu sou a cura de todos os males…”
Apetece-me espetar-lhes com tachas pequenas, um rótulo de "Banha da Cobra fresquinha"... Ou mesquinha!

Estou resignado a escrever num teclado pequeno, grande ideias da minha mente que saem em letras pequenas, numa espécie de contrato que faço com estas constatações. Uma espécie de contrato de seguros... Pagamos para nunca recebermos... Pagamos....Pagamos... E quando se trata de receber algo... Ah ainda tem de pagar... E ficamos resignados...

Ou revoltados. 

Olho novamente para a televisão. Sinto-me afogado, no meio do mar, a dar a mão a um irmão. Tem outra cor é verdade, não diz nada que entenda. Mas também se falasse o que eu falo, eu entenderia ao contrário.
Porque eu não quero que tudo mude. Apenas o suficiente. Quero que as coisas mudem o seu turno, um milímetro para o lado certo da rua. Que o rio se afaste um metro e deixe-me passar por entre as gotas da chuva que falta.

Eu quero que olhar para o céu. Olhar para ele sem temor. Olhar para um céu de promessas que se cumprem…Que por isso não são promessas. Quero ver um sítio onde pagamos a conta do que se esqueceu. Oferecemos o café ao que ainda não chegou. Um sítio em que olhamos para um carro, como aqueles dos bons, ou novos e dizemos “ Um dia vou ter um destes” e não “Sacana que deves andar a roubar…”
Oiço amigos e inimigos falarem de mudar o mundo… Para que tudo fique na mesma…
Eu quero mudar tudo, mas só um bocadinho…
E com ele mudar-me também… Só um bocadinho.

Descubro com este texto, que mudarmos um pouco para sermos melhores, é mais difícil.

Mais difícil do que simplesmente revoltar-nos.