segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Copo de Liberdade


A Liberdade

Partilhamos uma ideia de liberdade pequena. 
A ideia de liberdade individual que nos permite ser tudo, sem nada ser. 
Partilhamos uma ideia que nos permite nada partilhar, enfiar nos recônditos momentos da vida escondendo a existência atrás de uma noção gritada em praça pública.
A verdade desta liberdade é que é uma mentira.
É uma desculpa para nos escondermos da liberdade dos outros, para esquecermos a existência dos outros.
A verdade é que esta liberdade é uma prisão ditatorial.
Em seu nome fazemos tudo menos ser livres.
Em seu nome ignoramos o que nos concede ou esbanjamos esse sentido no amorfismo.
A liberdade que temos tem a dimensão do sacrifício que por ela quisermos fazer.

A Liberdade não tem preço. Mas o seu custo é elevado.

domingo, 19 de janeiro de 2014

Copo do dia - Elegância

Elegância

Cheguei finalmente ao dia em que descubro qual a razão do meu mal de amor.
Analisei todas as premissas existentes, avaliei as hipóteses e probabilidades,
Utilizei os meus corações de reserva, num experimentalismo científico…

(Sim! Convém ter mais alguns desses motores de existência para outros momentos difíceis…)

E dei-me conta da razão pela qual sofro por ti.
Melhor, a razão pela qual sofro sem ti…
Não!
A razão pela qual sofro sem mim, perdido de ti.

Podia simplesmente enumerar, qual apresentação.
Ou tirar cada justificação como uma pétala dum malmequer.
Este processo científico de descoberta do amor que tenho,
Tem de ser minucioso.

A humanidade não perdoa resultados falsificados, platónicos ou imaginários.

Meses e meses longos, de cabeça mergulhada no mantra da pesquisa aplicada à física do amor, escavando
nos recantos mais oportunos e escusos da mente humana, num processo
infindável de comparação entre incomparáveis, ergui os olhos com o momento de descoberta.

Cego pela lunar claridade, pela visão a aclarada do mundo, sem a dúvida a arrastar-me, a minha mente soube, de forma compassada e científica, sem inventar o amor (obrigado Daniel Filipe) encontrar a resposta.

Não sei! Gritei. Dentro da cabeça. Para dentro. Para mim.

A banalidade da admiração não é sentença. 

O teu movimento deslizante, os traços engenhosamente cativantes comparáveis à aparência de leoa que traz majestade,
Os poderosos e suaves movimentos dos olhos trucidantes combinados com a delicodoce forma de anunciares a tua presença…
E tudo isto dentro da categorização científica, tem o nome de Elegância, que por outro lado não é porventura o resultado que a humanidade espera.
Com tudo o que isso é, impossível de categorizar por outra palavra que não essa...
Aquela que conquista, sem precisar de o fazer.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Copo do Dia - Dentadinhas de... Alguma coisa


Tu, Barão, regente da corrente do tempo, Senhor de um mar de sentidos, castos Ou nem por isso, menores males pensados nas águas paradas Duma existência taciturna, que aguarda a lavagem dos pecados do mundo, Pequeno, internos, com terra à vista, com ilha perdidas, de amores, de tudo…. E de nada à vista senão a dorsal que falta. Ou que está a mais, para um planeta sem coluna. Tu, Barão das terras de outrem. Dominante «persona» de uma alma ultrajada, Que mordes cada caminho, cada cantinho da jaula onde te encerras, Esburacas um caminho, afastando corpo e alma, dos ossos que nos seguram… Mordes, consomes a existência e foges… Nadas para longe, como se a tua sombra no céu dos mares, Te perseguisse em busca de um castigo. Mas ninguém escapa ao pecado da gula de viver, Nem mesmo tu!

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Copo do dia - DO EPIC SHIT - (revisto)


A nossa vida não é um palco onde os ventos cruzados chocam.

Nem tanto um fosso de orquestra, de onde as canções que nos acolhem o momento, emanam.


Não é um púlpito escondido, o do ponto, que nos encaminha pelas páginas como consciência quase silenciosa de que o momento, é instante e esquecido.


Numa sucessão de palavras desgarradas, ditas pelas personagens que suportam o principal, buscando um argumento que se escreve com cada impacto nas teclas, cada som gritado, silêncio interrompido, abraçado pelo sentido perdido de crescer,


Como personagem…


Há um sentido épico do coração, da facilidade de fazer, sem a dimensão, sem a luz que abre as trevas da mente, somente secundário nesta peça e por si mesmo, um fim de uma vida curta de alguém, que somente esteve em palco para dizer: «Atentem aos idos de Março…».


Este novelo ritmado, romance pecaminoso, entre o autor e o personagem que é vítima e ao mesmo tempo escritor de um destino, este âmago de personalidade, «leit motif» da existência e no entanto secundário, resulta na banalidade.


É normal!

Apesar de único.
Apesar de tudo.
Apesar de não chegar!

Para tantos outros teatros que rumam ao fim, é somente um instante que dura o tempo que uma folha demora a cair, uma gota a precipitar-se da mãe de todas as chuvas, a queda dum grão numa ampulheta, desaparecendo sem rasto numa multidão de outros tantos minúsculos…


Perene imagem do passar de um tempo das pessoas que perdem o tempo, a pensar no perdido que é a vida que passou, como areia...


Tanto tempo gasto, extraviado, congelado nas personagens secundárias, agraciadas pela presença de quem faz seu, argumento, de todos, história.


De facto, não somos personagens pequenas. 

Somos as letras que colam as palavras.

Do Epic Shit.


Antítese da nossa existência até ao momento em que a voz da coragem se sobrepôs ao medo de ser gigante em terra de gigantes, apoiados nas palavras que sustentam a leveza do que queremos que seja o futuro.