domingo, 19 de janeiro de 2014

Copo do dia - Elegância

Elegância

Cheguei finalmente ao dia em que descubro qual a razão do meu mal de amor.
Analisei todas as premissas existentes, avaliei as hipóteses e probabilidades,
Utilizei os meus corações de reserva, num experimentalismo científico…

(Sim! Convém ter mais alguns desses motores de existência para outros momentos difíceis…)

E dei-me conta da razão pela qual sofro por ti.
Melhor, a razão pela qual sofro sem ti…
Não!
A razão pela qual sofro sem mim, perdido de ti.

Podia simplesmente enumerar, qual apresentação.
Ou tirar cada justificação como uma pétala dum malmequer.
Este processo científico de descoberta do amor que tenho,
Tem de ser minucioso.

A humanidade não perdoa resultados falsificados, platónicos ou imaginários.

Meses e meses longos, de cabeça mergulhada no mantra da pesquisa aplicada à física do amor, escavando
nos recantos mais oportunos e escusos da mente humana, num processo
infindável de comparação entre incomparáveis, ergui os olhos com o momento de descoberta.

Cego pela lunar claridade, pela visão a aclarada do mundo, sem a dúvida a arrastar-me, a minha mente soube, de forma compassada e científica, sem inventar o amor (obrigado Daniel Filipe) encontrar a resposta.

Não sei! Gritei. Dentro da cabeça. Para dentro. Para mim.

A banalidade da admiração não é sentença. 

O teu movimento deslizante, os traços engenhosamente cativantes comparáveis à aparência de leoa que traz majestade,
Os poderosos e suaves movimentos dos olhos trucidantes combinados com a delicodoce forma de anunciares a tua presença…
E tudo isto dentro da categorização científica, tem o nome de Elegância, que por outro lado não é porventura o resultado que a humanidade espera.
Com tudo o que isso é, impossível de categorizar por outra palavra que não essa...
Aquela que conquista, sem precisar de o fazer.

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