sexta-feira, 23 de maio de 2014

Copo do dia - Amor sem franquia

Amor sem franquia

Sabia quando te vi,
Naquele instante em que o coração parou,
Que já não tinha seguro de vida,
Nem seguro algum, sem que houvesse franquia a pagar!

De facto, o meu coração parou por instantes,
Enquanto o teu sorriso, segurava-me.
Ouvia tua voz fugidia, rir com as minhas tolices,
Ouvi os nosso passos correr por um corredor,
Sem que os nossos corpos, se tivessem movido.
Jurei a mim mesmo que não perderia oportunidade alguma,
De ficar pendurado em ti!

E o tempo fez-me o favor, esse seguro, de nos afastar.
Escolhas e mais escolhas, feitas pela importância,
Sem que o reencontro fosse o mais importante.
A verdade é que ainda pago a franquia de mossas passadas,
E arriscar em ti é um desejo maior do que o sensato.

Sim! Não te quero encontrar,
Porque se te encontrar não me seguro.
E aí o impacto de duas vontades,
De frente, de lado, pode ser violento,
Ou uma declaração amigável.

E no entanto,
O meu coração que parou por instantes,
Queixa-se da escolha feita.
Mas se hoje não tenho escolha.
Amanhã já.

Hoje não sei se te encontro.
Amanhã estou disposto a isso.
Mas será que o teu coração também parou?
Que a vontade é também como a minha,
Ou serei eu agora,

Apenas mais um acidente sem culpados?

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Copo do dia - A ponte que murmura (Revisto)

A ponte que murmura,
Range com a terra que não pára.
Pesarosa da idade e com ferrugem do tempo
É ligação que agoira a passagem para a tua margem,
E a tua beira adivinha-me destino incerto.

A verdade é que a oiço murmurar.
Entre o ranger de dentes metálico
A passagem do vento tenebroso,
Por entre alicerces e tirantes.
Oiço-a protestar
As ligações que nos remetem,
De mãos dadas entre as nossas partes,
Que vão vencendo o rio que anda devagar.

Cada um destes sons é um apelo.
Uma ligação que se faz ao peito desunido.
A eternidade feita aço que amarra margens,
Numa oração perpétua,
Continua, perdida, sem…
Mais nada que dizer que não: 
Ouve-me!

Procurando os dois sentidos numa travessia,
Traços contínuos que unem,
Ultrapassando a turbulência da dúvida,
Com a coragem para enfrentar um caminho segredado.

Estas pontes que apelam,
Que murmuram,
Que são braços entrelaçados,
Que são abraços.
Que são terras que beijam,
Que são pontes entre nós…
Ainda por juntar…


quarta-feira, 14 de maio de 2014

Copo do dia - A ponte que murmura


As pontes murmuram, rangem,
Com a idade e com ferrugem do tempo que se vai.
As minhas pontes agoiram passagem para a tua margem,
E a tua beira adivinha-me destino incerto na ponte que se move.

Oiço-as murmurar.
Entre o ranger de dentes metálico
 e a passagem do vento tenebroso,
Por entre alicerces e tirantes.

São estas ligações que nos remetem,
As Mãos dadas entre as nossas partes,
Que vencem o rio de vida que anda devagar,
E que nos fazem ser um só, apesar da água.

Mas cada um destes sons é um apelo.
Uma ligação que se faz ao peito desunido.
A eternidade feita aço, que amarra as margens,
Uma oração perpétua,
Para o que os sentidos de trânsito sejam dois,
E a meio caminho sobre a turbulência, e
Encontremos a coragem para ficar.

Estas pontes que apelam,
Que murmuram,
Que dizem olá e adeus,
Que são braços entrelaçados,
Entre as terras que nos fazem ser...
Pontes...

terça-feira, 13 de maio de 2014

Copo do Dia - Desejo com entrada livre


Desejo,
Como ser vivo, que a entrada
Nesse teu recanto, seja livre de pesos passados.
Mas que tenha em si a história que nos separa perdida,
Com a caneta que nos une, junto a teu peito.
Desejo por isso, com a calma que só a fúria apaixonada é capaz de conter,
Que os momentos futuros sejam por eles justificação dos pecados passados nas mãos
Que passaram pelos corpos que fomos deixando pelo caminho.

Desejo ainda, com parcimónia, que o caminho que fazemos,
Seja pontuado da necessidade de o descobrir,
Ao caminho,
Mas não apenas por ser desconhecido.
Desejo descobrir as pedras que pisamos, contar-lhes a nossa história e deixar ao futuro uma mensagem que nós, só nós conhecemos.

Sim.

Desejo que um objecto inanimado presente
Seja mensageiro para outro dia.
Sempre é melhor do que mensageiro com mensagem inanimada,
Sobre um passado sem rumo.
E perguntas com a certeza de uma resposta que não conheces,
Que mensagem simples é essa, capaz de ser apreendida por um calhau.
Respondo, simplesmente, que o caminho pertence a quem por ele nada queira pagar,

Mas que esteja disposto a gastar tudo, a mantê-lo.
Porque não é o dia do desejo que conta, mas o dia seguinte.

Por isso,
Desejo, com entrada livre.
Desconfio que o resto do caminho contará com mais de mim!


E tu?

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Copo do dia - Um beijo por dar


Há um beijo que não te dei.
Que nunca te irei dar.
Um que te iria convencer-te a dares-me a noite, mas nunca a manhã.
E eu quero as manhãs.
Quero ter a luz do sol no teu olhar e não apenas o suor que o sexo traz.
Não digo que dispenso essa deliciosa atividade,
Mas torna-se tenebrosa por ser fútil.
E de lados negros, basta a Lua que tem um que me parece perseguir,
Por entre as noites mal dormidas.
E assim, por todos os beijos que nunca dei, continuo sem a noite à espera da manhã,
Aguardando que haja uma alma gémea que pense o mesmo.
Mas por enquanto, as minhas manhãs são portagens para outro dia,
Sem via alguma, de cor nenhuma,
Sem outro traço que não o raio de luz matinal que me tortura.
Acordando-me para o inevitável mundo em que o beijo é uma noite,
Mas sem a manhã, sem nada mais do que uma sombra vazia, num corpo presente.
E assim recuso-me a tomar esse remédio fortuito,
Perder o tempo, numa noite, que vejo como perdida.

E no entanto, quero beijar-te!