segunda-feira, 23 de junho de 2025

A necessidade de fazer coisas estúpidas.

 

A necessidade de fazer coisas estúpidas.

Tenho a necessidade de fazer coisas estúpidas.

Mandar uma mensagem a quem não me conhece.

Declarar uma paixão por uma personagem que não existe.

Imaginar algo sobre a imaginação de outro.

De criar problemas criativamente…

Imaginar uma vingança destruidora, como uma comédia.

De apagar as dores, com mais dores.

Coisas parvas.

 

Gostava de te dizer que a personagem que encarnas numa comédia que fui ver, é o meu abismo: inteligente, elegante, bonita, manipuladora, desleal.

Morreria ficticiamente por ela.

Espero que retenhas as melhores qualidades dela.

Não sei se serão as mesmas que eu vejo.

Ah não era desleal? Estava tudo à vista.

Talvez não vejamos a vida da mesma forma.

Mas aquela foi escrita para ser assim. E na vida real, escrevemos parte da história e não temos de o ser.

Seja como for, esse abismo, continua a aparecer.

Continua a deixar, sem pé, sem terra, sem ar.

Nem sequer foi a sugestão física que o faz.

Foi a voz.

Sempre a maldita voz.

Saberei quem serás na vida real, quando ouvir essa voz que me vai acolher.

Ando à procura da voz que vais calar todas as outras vozes, falando docemente.

 

Mas tenho a impressão que ando surdo…