A necessidade de fazer coisas estúpidas.
Tenho a necessidade de fazer coisas estúpidas.
Mandar uma mensagem a quem não me conhece.
Declarar uma paixão por uma personagem que não existe.
Imaginar algo sobre a imaginação de outro.
De criar problemas criativamente…
Imaginar uma vingança destruidora, como uma comédia.
De apagar as dores, com mais dores.
Coisas parvas.
Gostava de te dizer que a personagem que encarnas numa
comédia que fui ver, é o meu abismo: inteligente, elegante, bonita, manipuladora,
desleal.
Morreria ficticiamente por ela.
Espero que retenhas as melhores qualidades dela.
Não sei se serão as mesmas que eu vejo.
Ah não era desleal? Estava tudo à vista.
Talvez não vejamos a vida da mesma forma.
Mas aquela foi escrita para ser assim. E na vida real,
escrevemos parte da história e não temos de o ser.
Seja como for, esse abismo, continua a aparecer.
Continua a deixar, sem pé, sem terra, sem ar.
Nem sequer foi a sugestão física que o faz.
Foi a voz.
Sempre a maldita voz.
Saberei quem serás na vida real, quando ouvir essa voz que
me vai acolher.
Ando à procura da voz que vais calar todas as outras vozes,
falando docemente.
Mas tenho a impressão que ando surdo…