Chego ao momento.
Chego ao momento final da minha vida comum.
Caminho em direcção à idade que deixo,
Aos mistérios que perco e aos passos gastos antes de tempo.
É um trajecto inexorável , indigesto na sua maior parte,
Rocambolesco e paradoxalmente mais calmo do que se pensa.
A agitação inerente à ação, é uma pintura rupestre nas
muralhas que erguemos.
Pior…
É um graffiti territorial de um bando de minutos que nos
persegue, pedindo apenas a vida, sendo a
carteira um organismo que vive vácua como o espaço.
Excepto pela fotografia… Que nunca lá esteve.
Uma ideia que voou quando as asas que o meu desejo tinha, se
quebraram.
A minha vida que finda, a comum foi uma perda de tempo.
Limitei-me a desejar, amar, construir, sonhar, apoiar,
agarrar, ter ar para dar e chorar.
E força para erguer, para ter onde me valer.
A vida incomum que me persegue é mais simples.
Respira.
Aguarda.
Com a ferocidade de um tigre, de um leão, de uma mãe
enfurecida.
O momento certo para rasgar os corpos ofensivos,
Erguendo as garras, ameaçando o passado, de costas viradas para
a ideia.
Para o que vai fazer.
Ou estarei a trocar nomes.
A trocar valores.
E o que mais vale, foi o que menos penso?
