sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Copo do dia - Chego ao momento.

Chego ao momento.

Chego ao momento final da minha vida comum.
Caminho em direcção à idade que deixo,
Aos mistérios que perco e aos passos gastos antes de tempo.
É um trajecto inexorável , indigesto na sua maior parte,
Rocambolesco e paradoxalmente mais calmo do que se pensa.
A agitação inerente à ação, é uma pintura rupestre nas muralhas que erguemos.

Pior…

É um graffiti territorial de um bando de minutos que nos persegue, pedindo apenas a vida, sendo  a carteira um organismo que vive vácua como o espaço.
Excepto pela fotografia… Que nunca lá esteve.
Uma ideia que voou quando as asas que o meu desejo tinha, se quebraram.
A minha vida que finda, a comum foi uma perda de tempo.
Limitei-me a desejar, amar, construir, sonhar, apoiar, agarrar, ter ar para dar e chorar.
E força para erguer, para ter onde me valer.
A vida incomum que me persegue é mais simples.
Respira.
Aguarda.
Com a ferocidade de um tigre, de um leão, de uma mãe enfurecida.
O momento certo para rasgar os corpos ofensivos,
Erguendo as garras, ameaçando o passado, de costas viradas para a ideia.
Para o que vai fazer.

Ou estarei a trocar nomes.
A trocar valores.

E o que mais vale, foi o que menos penso?

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Copo do dia - Coração Calmo

Gostava de ter um coração mais calmo.
Um coração que não se decidisse a sair pela garganta sufocando.
Um que não se sufocasse pelo que não consegue agarrar,
Um que não se agarre a uma memória passageira,
Passageiro de um corpo que sente saudade,
Saudade de um momento mais calmo.

Queria ter um coração mais calmo.
De compasso ternário ou quaternário,
que vivesse a música que emana,
que não empana, quando se engana,
Que chama pela garganta do corpo que movimenta,
com uma súbita e doce voz, calma.

Quero ter um coração mais calmo.
Corações Gin & Tónico,
Não são tónico para a dor,
São alimento para o romance perdido.
Preciso de um abstémio, que evite sentir...

Sim quero um coração assim,
Um coração que não é coração.
Uma decoração apenas num peito acabrunhado.
E no entanto...
E no entanto não posso ter tudo o que quero.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Copo do dia - Um amigo que parte...

Um amigo que parte...

É quase meia-noite.
A vida começa de novo,
Agora que a lua se põe antes de tempo,
Dando lugar ao que ainda não devia lá estar.
Bem sei que a imaginação me prega esta partida.
Mas é uma de boa natureza.
Pois o coração só se deve lembrar sob luz,
E nunca na escusa existência atrás de uma memória.

Conto agora, enquanto o ponteiro passeia pela face,
A contabilidade de uma vida anual.
Encaro as perdas inaceitáveis, com os ganhos normais.
A excepcionalidade dos momentos,
Com a cruel distância que se criou.
Como num ábaco emocional, conto.
Todas as lágrimas vezes todos os momentos de raiva, a raiz quadrada ou mesmo cúbica da tristeza…
A alegria elevada à décima potência, a criação investida com uma taxa de juro generosa,
Livre de impostos governamentais, imposta apenas a vontade de criar.

Penso nas páginas que escrevi.
Nos poemas que me deixaram.
No coração que ainda fica.
Depois de tudo somado.
Este momento anual serve para isso.
Para reformular a vida que tivemos.
Para nos lembrarmos que nascemos sempre em dias diversos ao em que nascemos.
Que os anos que carregamos, não constam de nenhum cartão,
Apenas do olhar que temos, quando olhamos para quem queremos ser.
Sim, a meia-noite solarenga aproxima-se.
Depois fecho os olhos para pensar em ti.
Em ti que partiste, meu velho.
Em ti, que levas contigo tudo o que fui.
Mas que nunca levas o que posso ser, hoje!
Obrigado, velho amigo.
Um abraço.
Manda saudades minhas, aos outros que já se passaram,

Neste vosso céu da minha existência!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Copo do Dia - Foleiramente fofinho...

Partir um coração

Partir um coração exige a palavra não!
Ou mesmo a palavra Sim!
Uma peça perdida numa gaveta,  entregue em mão.
Uma carta não entregue, como um punhado de areia,
Feito vidro cascalho cortante.

Partir um coração é fácil,
Feito de papel de cenário,
Vermelho, ou de qualquer cor.

Mantê-lo inteiro.
Blinda-lo,
Torna-lo cavalo de batalha,
Tanque de guerras amorosas…
Isso não!

O amor é frágil.
Só assim pode ser tão dominante.
Exige cuidado.
Biberão,
Fraldas
Miminhos.
Ser embalado…
Noites sem dormir e sem descanso.
Merece um não de vez em quando,
Ser incondicional.
Um amo-te perdido.

Amor é esforço constante.
É conquista permanente (obrigado MEC, pela Dica).
Amor é saber amar,
Saber não o dizer em vão.
Senti-lo sem abrir a boca.

E se por ventura se parte…
Cola-se mais uma fita de papel,
Fica com um ar remendado,
Mas ali já não se quebra…

Sabes, acho que os melhores corações,
São remendados.
Sinais de amores tidos e perdidos.
Sinais de empenho.

De Amor!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Dois copos - Devolver

Devolver

Ontem devolvi algo que não era meu.
Devolvi um bem que não me pertencia.
Deixei nas mãos certas um momento.
E com ele deixei também lágrimas minhas.

Ontem, deixei um coração partido.
Deixei meio dele, a quem pertencia.
Deixei-o na mão de quem o merece,
E com ele trouxe lágrimas, tuas, também.

Sei o que fiz, sem saber o que fazia.
O que deixei, parecia pouco, 
e com o estilhaçar, muito.
Era o desejo de não poder esperar mais.
Quando o que quero é isso mesmo!

Contenho-me todas as vezes. 
Esforço-me por olhar para ti,
Custa-me não te abraçar,
Não te ter!
Se pudesse ser,
Seria banal ainda mais, 
dizendo querer ser jóia junto do teu coração...
Mas não, quero mais!
Ser pele.
Ser ar.
Olhar!
Reparar o caminho que ficou aturdido pela partida,
que os corações perdidos tiveram.
Sim...
Ontem. Naquele dito dia.
Em que o Sol, mal chegou para aquecer.
E o frio era um vazio...

Ontem devolvi algo que não era meu.
Devolvi o meu coração!
Meio coração.
A minha parte da nossa vida.
Devolvi-te parte de mim, 
por não poder esperar mais...


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Copo do dia - Adeus! e Olá!

Daqui a uns dias vou dizer adeus a um companheiro de caminho, que com ele vai levar muitas memórias.
Daqui a uns dias vou dizer a adeus a memórias de um outro tempo. Algumas muito boas, outras a esquecer.
Daqui a uns dias tudo fica na mesma, porque o que é bom não deve partir do nosso coração.
Daqui a uns dias digo Adeus. 
E olá!