sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Copo do dia - Chego ao momento.

Chego ao momento.

Chego ao momento final da minha vida comum.
Caminho em direcção à idade que deixo,
Aos mistérios que perco e aos passos gastos antes de tempo.
É um trajecto inexorável , indigesto na sua maior parte,
Rocambolesco e paradoxalmente mais calmo do que se pensa.
A agitação inerente à ação, é uma pintura rupestre nas muralhas que erguemos.

Pior…

É um graffiti territorial de um bando de minutos que nos persegue, pedindo apenas a vida, sendo  a carteira um organismo que vive vácua como o espaço.
Excepto pela fotografia… Que nunca lá esteve.
Uma ideia que voou quando as asas que o meu desejo tinha, se quebraram.
A minha vida que finda, a comum foi uma perda de tempo.
Limitei-me a desejar, amar, construir, sonhar, apoiar, agarrar, ter ar para dar e chorar.
E força para erguer, para ter onde me valer.
A vida incomum que me persegue é mais simples.
Respira.
Aguarda.
Com a ferocidade de um tigre, de um leão, de uma mãe enfurecida.
O momento certo para rasgar os corpos ofensivos,
Erguendo as garras, ameaçando o passado, de costas viradas para a ideia.
Para o que vai fazer.

Ou estarei a trocar nomes.
A trocar valores.

E o que mais vale, foi o que menos penso?

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