sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Copo do dia - DO EPIC SHIT - (revisto)


A nossa vida não é um palco onde os ventos cruzados chocam.

Nem tanto um fosso de orquestra, de onde as canções que nos acolhem o momento, emanam.


Não é um púlpito escondido, o do ponto, que nos encaminha pelas páginas como consciência quase silenciosa de que o momento, é instante e esquecido.


Numa sucessão de palavras desgarradas, ditas pelas personagens que suportam o principal, buscando um argumento que se escreve com cada impacto nas teclas, cada som gritado, silêncio interrompido, abraçado pelo sentido perdido de crescer,


Como personagem…


Há um sentido épico do coração, da facilidade de fazer, sem a dimensão, sem a luz que abre as trevas da mente, somente secundário nesta peça e por si mesmo, um fim de uma vida curta de alguém, que somente esteve em palco para dizer: «Atentem aos idos de Março…».


Este novelo ritmado, romance pecaminoso, entre o autor e o personagem que é vítima e ao mesmo tempo escritor de um destino, este âmago de personalidade, «leit motif» da existência e no entanto secundário, resulta na banalidade.


É normal!

Apesar de único.
Apesar de tudo.
Apesar de não chegar!

Para tantos outros teatros que rumam ao fim, é somente um instante que dura o tempo que uma folha demora a cair, uma gota a precipitar-se da mãe de todas as chuvas, a queda dum grão numa ampulheta, desaparecendo sem rasto numa multidão de outros tantos minúsculos…


Perene imagem do passar de um tempo das pessoas que perdem o tempo, a pensar no perdido que é a vida que passou, como areia...


Tanto tempo gasto, extraviado, congelado nas personagens secundárias, agraciadas pela presença de quem faz seu, argumento, de todos, história.


De facto, não somos personagens pequenas. 

Somos as letras que colam as palavras.

Do Epic Shit.


Antítese da nossa existência até ao momento em que a voz da coragem se sobrepôs ao medo de ser gigante em terra de gigantes, apoiados nas palavras que sustentam a leveza do que queremos que seja o futuro.

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