sábado, 11 de abril de 2020

Uma Páscoa diferente


Quero desejar-vos uma Páscoa Feliz, mas não consigo. 
Acho que, como tudo que na nossa vida se está a adiar, sobretudo o convívio com os nossos entes queridos (que passam pelos Avós, Pais e Amigos) quase que sugeria adiar a Páscoa até ao primeiro Domingo depois da bendita Sexta-Feira em que descubram a vacina ou algo que ajude a controlar esta doença que nos aflige. 

Estes são dias estranhos, onde o habitual é olhar para quatro paredes, pela janela, ver o Sol e a Chuva passar, ver noite a tropeçar lentamente e o Sol (que não está em Teletrabalho) a levantar todos os que dormiam ou a mandar embora para cama os que estavam acordados. 
Todos aqueles que ainda trabalham para nós e para eles, que fazem o pão, que nos trazem os necessários alimentos e mercadorias, os que andam na rua a zelar pela nossa segurança, os que não hesitam em vir ajudar-nos quando precisarmos e sim os Médicos, Enfermeiros, os Técnicos laboratoriais, os Auxiliares…
E também os que trabalham em casa para as empresas, nas escolas (à distância mas também lá fisicamente a alimentar quem não tem), aqueles que ainda estão a trabalhar nas empresas, fisicamente, a segurar o navio na tempestade e na penumbra que irá acabar. Até os servidores públicos, que hoje são dos mais solicitados, pois tudo lhes é pedido, em nome de quem já nada tem.

Neste momento único da nossa existência ainda vejo quem nos queira dividir, nos queira separar, seja pela mentira direta, seja falsidade imprópria de quem tem o dever de saber mais. 
E mesmo com as dúvidas criadas, as ruas estão quase vazias. Pediram-nos o absurdo e nós estamos a fazê-lo. Ficar em casa. Mas as ruas não podem estar totalmente vazias, porque é preciso comer, é preciso apanhar ar. Há quem trabalhe.  E sendo preciso fazer cumprir as regras, estas são respeitadas pelo menos a dois metros.

Para resistir, por vezes temos de ver o Sol sem que seja pelo vidro. 

Esta nossa luta faz-se sem gritos de batalha, sem reclamações, com olhares meio cúmplices e agradecimentos dados com um olhar.
Faz-se no silêncio.
Porque estamos a proteger quem amamos, pela distância.

Volto à minha ideia inicial.
Adiemos a Páscoa.
Os aniversários e os festejos.
Os dias santos e tudo o mais que nos fazia juntar.

Juntemo-nos naquele dia que há nascer como todos os outros, em que poderemos respirar sem medo.
Em que a vida retoma o seu rumo
Em que o respeito que ganhámos pelo  Outro não desapareça.

Esperemos pelo dia que em vez de “Temos de combinar…” Se diga “Hoje estás livre?”

Até lá, para os que não querem esperar, desejo uma Feliz Páscoa!
Aos outros, uma até já!