Comecemos
pelo que faço todo o dia.
Ando pelo Mundo a tentar mostrar que o mundo é maior
a pessoas que apenas estão interessadas no seu mundo.
Ando pelo Mundo a fazer o
papel ingrato de me importar com o Mundo e não apenas pela visão que cada um tem
dele.
Ando
pelo Mundo a ser um parvo. A ser pequeno.
A olhar para grandeza com a pequenez de
quem acha que pode mudar o mundo com palavras.
A
verdade é que ando na mesma vida de “corretor do mundo” com o mesmo grau de
utilização que o corretor ortográfico nos jornais. E com o mesmo impacto.
Mas
esta reflexão começa com a última vez que fiz algo que nunca fiz antes…
E
sinceramente não me lembro. Não me lembro de fazer algo assim há tanto tempo
quanto aquele que faço de corretor.
Acho
que essa sensação que me assombra. Assombra-me tanto quanto a ignorância que se
testemunha nas redes sociais e nos jornais cujo único interesse é vender a
teoria de que tudo está mau e horrível. E sim tudo está mau e horrível. Porque
isso tem mais “likes” quando te sentes ultrajado pelo caminho do mundo. Não
interessa que essa pequena mentira caminha sobre pedras aguçadas, o ultraje
traz “likes”.
A
minha sobrinha Mariana aprendeu a andar de bicicleta hoje. Estou à espera que
um dia ela aprenda a falar sem gritar. Que os pais aprendam que o telemóvel na
mesa, a passar filmes é algo que não ensina nada e só mima. Que tirar o tablet
como castigo não é chantagem é educação.
Estou
à espera que as pessoas aprendam que o mundo não precisa de ser o que lhes
vendem.
Hoje,
até o pânico se vende em pacotes de 20 minutos, que é o tempo que uma peça jornalística
sobre o fim do mundo, dura. Ou pelo menos sobre o fim do fim do mundo que nos
querem vender. É bom para vender anti-depressivos. E Whisky! Muito. Ou para os
bares ou discotecas…
O
Almoço foi farto. Demasiado. Cheio de bebida, comida grelhada. Rodeado de
família.
Crianças
a correr. A Prender. A inventar.
Os
adultos conversam. Bebem. Falam muito sobre nada e quase nada sobre as coisas
importantes.
As
pessoas adiam os caminhos, para ficarem no conforto. As verdades que temos como
base da nossa existência são essenciais. Podem ser as maiores mentiras que
contamos a nós próprios.
Acho
que aquilo que eu não faço há muito tempo ou que nunca fiz, foi parar de
mentir.
Mentir-me.
Mentir-vos.
As
vossas mentiras são odiosas, mas a minha ainda o é mais.
É
que eu sei que estou a mentir!
A Mariana estatelou-se. Minto-lhe dizendo que não teve cuidado e por isso caiu.
Na realidade foi uma questão de equilíbrio e a aplicação de uma das leis de
Newton, possivelmente a Terceira.
Tudo
está rodeado das pequenas mentiras que precisamos:
Água é boa?
Isto faz bem?
Não
te preocupes...
Os
miúdos estão a correr pela rua. Um deles tropeça. É normal. Esfacela o joelho. Levanta-se
corre. Meia hora depois, com umas pedras cravadas diz que não consegue andar…
Álcool,
Betadine ou bálsamos maravilhosos, curam a dor de alma da mãe e do miúdo. Ralha
com ele.
O tio afirma que tudo está bem quando acaba bem.
Eu
observo ao longe, apesar de estar sentado ao lado.
Analiso com frieza
necessária se o miúdo precisa de ir ao hospital.
Examino a ferida com o
sentimento desapaixonado necessário.
Nada
de importante. Fiz tantas como aquelas. 2 semanas e está curado.
Agora sim posso ser uma pessoa normal. Agora posso ser o Pai extremoso.
Antes também o seria. Até seria mais. O pânico não resolve nada.
Os
americanos lançaram uma bomba. Os Russos dizem que têm uma maior. Os coreanos
dizem que são os maiores. Os Holandeses gostam de bebidas e mulheres, mas não
gastam dinheiro nelas. Os Portugueses estão felizes e endividados. O mundo
acabou.
Esperem,
ainda só vamos no intervalo.
Amanhã o mundo acaba outra vez.