quarta-feira, 28 de maio de 2025

O outro Silêncio

Há um silêncio que vive dentro de nós.

Um que apaga as vozes dissonantes que nos amarguram o dia. 

Que deixa viver o dia e o Sol.

Liberta a mente das dores infligidas. 

Que mata as dúvidas.

Esse silêncio exige árdua batalha. 

Elevação da alma. 

Resistir ao ímpeto destrutivo. 

Demanda amor pelo próximo e por ti.

Perpetua-se no perdão que ainda não foi aceite.

No sorriso que ainda há de vir.

Um dia esse silêncio será constante.

Será a Paz, antes de tudo voltar a acontecer.

quarta-feira, 7 de maio de 2025

Sensores de proximidade

Estamos rodeados de sensores de proximidade.

As máquinas iluminam-se à nossa passagem.

Os telefones dizem-nos bom dia, como se soubesse que ali estamos. A inteligência artificial, na sua honestidade programada, diz-nos o tempo que está, e o que vai estar.

Os meus sensores de proximidade, não se têm ativado, excepto quando te digo: Bom dia!

Bom dia, de dez mil maneiras, acompanhado de um sorriso que não posso ver, mas que sinto, em proximidade.

A minha imaginação, por proximidade do coração, vê-te sempre a sorrir para mim.

Talvez por que assim o deseje. 

Mas não posso fazer muito mais do que isso. O teu coração e o teu corpo estão à guarda de outro. 

Talvez a tua cabeça, os teus ouvidos e olhos, sejam meus por breve momentos.

E que momentos.

Ouvir-te rir, falar, espreguiçar. Que delícia de momento. De vida. Que doce envolvência me deixas.

E, no entanto, nunca aqui estiveste.

A imaginação de ti, feita por ti. Pelas tuas palavras, é tão forte como a tua presença. 

Sorrio.

E sinto-me bem.

Falo contigo todos os dias que posso. 

Podia mais. Todos os dias.

Mas não posso, todos os dias.

Que vontade de imaginar o mundo quando falamos.

E sentir que o tornas mais azul, mais doce, mais humano.

E se te disser que nunca, na minha vida houve quem o fizesse como tu?

Que as cores com que pintas a vida, são vivas demais para estar presas num peito.

E se te disser que és maior do que a vida, mas envolver-te-ia num abraço.

As duas vidas que levamos, separadas pela vida. talvez unidas por um infindável fio vermelho...

É bom viver a piada cósmica, contigo.

Porque estás.

Existes ali, junto do meu ouvido, todas as manhãs.

E um dia talvez possa sentir a tua respiração, perto, pertinho.

Dar-te mais um batimento do meu coração, como se eles não fossem intermináveis.

Dizer-te "Bom Dia!", com outra distância.

Sentir-te perto, mentido pela proximidade que pele sente, mas o olhar detém.

Estás aqui. ao meu lado, a escrever a quatro mãos.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Amamos a beleza com a qual convivemos

Amamos a beleza com a qual convivemos.

Amamos a frequência. Os defeitos, que não passam de pequenas desilusões, são apagados. A toxicidade das decisões tomadas sem partilha, é transferida para o que mais sofre com ela.

A beleza constante desaparece com a ausência. A beleza permanece enquanto o papel mate aguentar a luz solar.

O Sol de uma beleza que partiu, apagou-se, enquanto esperava, com esperança, o que já era passado.

A virtude do passado é que deveria ser mais belo, apesar disso, é nele que visitamos a história narrada que antes ignorada, não tem mais correntes a prendê-la.

Foram os melhores tempos. E os piores tempos. Foram a felicidade com pés de barro. Não foram o barro que se ergue, para fazer uma obra de arte, ou uma vida. A roda de oleiro, gira e gira, sem fim… com as mãos do destino formando uma geometria desconhecida. Uma que foi perdendo pedaços. Sem vitrificação. Sem elementos pesados. E sem o calor que faria um futuro.

Esse amor por constância. Essa presença por eterno, fez-se pó, com estrondo silencioso. Com um grito mudo. Com uma brisa tintada pelos vapores do álcool. Pelo respirar de um fim.