Estamos rodeados de sensores de proximidade.
As máquinas iluminam-se à nossa passagem.
Os telefones dizem-nos bom dia, como se soubesse que ali estamos. A inteligência artificial, na sua honestidade programada, diz-nos o tempo que está, e o que vai estar.
Os meus sensores de proximidade, não se têm ativado, excepto quando te digo: Bom dia!
Bom dia, de dez mil maneiras, acompanhado de um sorriso que não posso ver, mas que sinto, em proximidade.
A minha imaginação, por proximidade do coração, vê-te sempre a sorrir para mim.
Talvez por que assim o deseje.
Mas não posso fazer muito mais do que isso. O teu coração e o teu corpo estão à guarda de outro.
Talvez a tua cabeça, os teus ouvidos e olhos, sejam meus por breve momentos.
E que momentos.
Ouvir-te rir, falar, espreguiçar. Que delícia de momento. De vida. Que doce envolvência me deixas.
E, no entanto, nunca aqui estiveste.
A imaginação de ti, feita por ti. Pelas tuas palavras, é tão forte como a tua presença.
Sorrio.
E sinto-me bem.
Falo contigo todos os dias que posso.
Podia mais. Todos os dias.
Mas não posso, todos os dias.
Que vontade de imaginar o mundo quando falamos.
E sentir que o tornas mais azul, mais doce, mais humano.
E se te disser que nunca, na minha vida houve quem o fizesse como tu?
Que as cores com que pintas a vida, são vivas demais para estar presas num peito.
E se te disser que és maior do que a vida, mas envolver-te-ia num abraço.
As duas vidas que levamos, separadas pela vida. talvez unidas por um infindável fio vermelho...
É bom viver a piada cósmica, contigo.
Porque estás.
Existes ali, junto do meu ouvido, todas as manhãs.
E um dia talvez possa sentir a tua respiração, perto, pertinho.
Dar-te mais um batimento do meu coração, como se eles não fossem intermináveis.
Dizer-te "Bom Dia!", com outra distância.
Sentir-te perto, mentido pela proximidade que pele sente, mas o olhar detém.
Estás aqui. ao meu lado, a escrever a quatro mãos.