sexta-feira, 11 de abril de 2025

Gosto de títulos pomposos

 Não dos que alimentam o Ego. 

Não quero senhor Doutor, Professor ou assim.

Falo dos títulos pomposos dos textos.

Das crónicas anunciadas.

Dos autos, das barcas e dos infernos.

Amores de perdição e Tragédias floridas, de mães e filhos que se amam, como não devem... E como isso é tão real nos dias que correm...

Porque já não se ama como se deve. 

Ama-se como se paga.

Amores por Multibanco. Por Tinders e Bumbles. Por “applicação”, quando não se aplicam.

Mais um título pomposo. "Amor por aplicação. Mas sem instruções para o fazer."

Amo-te por videoconferência. Escondido atrás do filtro que levanta as rugas.

Estou enraivecido. bato no monitor, quando o computador está ao lado... 

Transferência da dor para o inocente que só reflete o que tu queres ver. 

Estrago colateral da existência.

"Gosto de ti, como de gelado. Derretida por mim..." Piropo fácil. Ah não, que a “boaventura” dos piropos foi destruída pela autoconsciência das mulheres e do amor-próprio que têm. Onde já se viu tal coisa.

"Estou convencido de que me amas". Palavras de romance de cordel, onde grassa o poder escolha de uma das partes, mas não fé.

Gosto de títulos pomposos. "A vida".

Um livro sobre a vida. Como se apenas houvesse uma. A minha. A tua já não interessa.

"Todas as razões para te amar. Apenas uma para te deixar"

Às vezes nem isso.

"Morremos às mãos dos que nos deram vida. Vivemos, quando nos querem mortos."

Sempre em oposição.

"O meu propósito de vida é infernizar a tua". 

Ainda bem, que tens objetivos de vida.

Gosto de títulos pomposos...

Mas preferia que estivesses aqui.


quinta-feira, 10 de abril de 2025

Sei que não estás... Mas estás. E todas as outras também.

Sei que não estás... Mas estás. 

E todas as outras que vieram depois, também.

A minha realidade tem sido simples. Sinto que falhei. Falhei na nossa relação. Falhei em tudo.

Mesmo que não tenha culpa, responsabilidade ou o que for em denominação, é isso que sinto.

Porque sempre senti que levava o mundo, mesmo que isso fosse arrogância minha.

E agora em que parece que realmente o carrego, vejo no meu pseudo-sucesso, o falhanço miserável.

Não deixas de estar no meu coração. E nunca deixarás!

Mas quando partiste, deixaste de ser a razão pela qual ele batia!

Agora bate por hábito. 

E de vez em quando, pela esperança que rapidamente desaparece.

Acabo, com este bater assíncrono, de semi-sobressalto, sozinho.

Porque ninguém o ouve. 

E se ninguém encosta o seu ouvido ao teu peito, e o ouve...

Será que ainda estamos vivos?

Acho que estou vivo. 

As dores ainda persistem. 

As memórias ainda ferem. 

A tristeza à qual se diz até depois, regressa rapidamente.

De vez em quando, nesse sorriso que vai surgindo, naqueles momentos de esperança, se visto ao espelho começa um ciclo autoalimentado. 

Mas isso também termina, quando a energia se esvai. 

Afinal não há nada infinito. Nem tu, nem eu.

Só a memória do que fui contigo. 

Porque já nem posso dizer do que fomos.

Depois de ti apaixonei-me. 

Talvez até tenha amado...

Pelos breves momentos em que me deixaram ser um homem melhor do que fui.

Mas, a ironia não me escapa! 

Procurava um lugar onde talvez pudesse ter sido feliz, mas que repetidamente, hoje é feliz noutras mãos.

E, sem sobressalto, sem algo subitamente, deixei de ser quem era.

Tornei-me uma máquina. 

Que deixa os sentimentos para o seu silêncio, porque há poucos ou nenhuns que queiram escutar os nomes perdidos da esperança.

Claro que já me magoei profundamente ... 

Mas às tantas só se sente a tristeza da perda. 

Das perdas. 

Da sucessão amarga.

Até estar aqui a escrever é, não somenos, milagre. 

Porque me falta o dia de amanhã.

Até falta a imaginação, mas que não falte o copo meio cheio.

Porque o cheio ficou contigo, na tua jornada para outra vida longe de mim.

E o meio vazio está algures, perdido nas minhas mãos.