Sei que não estás... Mas estás.
E todas as outras que vieram depois, também.
A minha realidade tem sido simples. Sinto que falhei. Falhei na nossa relação. Falhei em tudo.
Mesmo que não tenha culpa, responsabilidade ou o que for em denominação, é isso que sinto.
Porque sempre senti que levava o mundo, mesmo que isso fosse arrogância minha.
E agora em que parece que realmente o carrego, vejo no meu pseudo-sucesso, o falhanço miserável.
Não deixas de estar no meu coração. E nunca deixarás!
Mas quando partiste, deixaste de ser a razão pela qual ele batia!
Agora bate por hábito.
E de vez em quando, pela esperança que rapidamente desaparece.
Acabo, com este bater assíncrono, de semi-sobressalto, sozinho.
Porque ninguém o ouve.
E se ninguém encosta o seu ouvido ao teu peito, e o ouve...
Será que ainda estamos vivos?
Acho que estou vivo.
As dores ainda persistem.
As memórias ainda ferem.
A tristeza à qual se diz até depois, regressa rapidamente.
De vez em quando, nesse sorriso que vai surgindo, naqueles momentos de esperança, se visto ao espelho começa um ciclo autoalimentado.
Mas isso também termina, quando a energia se esvai.
Afinal não há nada infinito. Nem tu, nem eu.
Só a memória do que fui contigo.
Porque já nem posso dizer do que fomos.
Depois de ti apaixonei-me.
Talvez até tenha amado...
Pelos breves momentos em que me deixaram ser um homem melhor do que fui.
Mas, a ironia não me escapa!
Procurava um lugar onde talvez pudesse ter sido feliz, mas que repetidamente, hoje é feliz noutras mãos.
E, sem sobressalto, sem algo subitamente, deixei de ser quem era.
Tornei-me uma máquina.
Que deixa os sentimentos para o seu silêncio, porque há poucos ou nenhuns que queiram escutar os nomes perdidos da esperança.
Claro que já me magoei profundamente ...
Mas às tantas só se sente a tristeza da perda.
Das perdas.
Da sucessão amarga.
Até estar aqui a escrever é, não somenos, milagre.
Porque me falta o dia de amanhã.
Até falta a imaginação, mas que não falte o copo meio cheio.
Porque o cheio ficou contigo, na tua jornada para outra vida longe de mim.
E o meio vazio está algures, perdido nas minhas mãos.
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