Não dos que alimentam o Ego.
Não quero senhor Doutor, Professor ou assim.
Falo dos títulos pomposos dos textos.
Das crónicas anunciadas.
Dos autos, das barcas e dos infernos.
Amores de perdição e Tragédias floridas, de mães e filhos que se amam, como não devem... E como isso é tão real nos dias que correm...
Porque já não se ama como se deve.
Ama-se como se paga.
Amores por Multibanco. Por Tinders e Bumbles. Por “applicação”,
quando não se aplicam.
Mais um título pomposo. "Amor por aplicação. Mas sem
instruções para o fazer."
Amo-te por videoconferência. Escondido atrás do filtro que
levanta as rugas.
Estou enraivecido. bato no monitor, quando o computador está ao lado...
Transferência da dor para o inocente que só reflete o que tu queres ver.
Estrago colateral da existência.
"Gosto de ti, como de gelado. Derretida por
mim..." Piropo fácil. Ah não, que a “boaventura” dos piropos foi destruída
pela autoconsciência das mulheres e do amor-próprio que têm. Onde já se viu tal
coisa.
"Estou convencido de que me amas". Palavras de
romance de cordel, onde grassa o poder escolha de uma das partes, mas não fé.
Gosto de títulos pomposos. "A vida".
Um livro sobre a vida. Como se apenas houvesse uma. A minha.
A tua já não interessa.
"Todas as razões para te amar. Apenas uma para te
deixar"
Às vezes nem isso.
"Morremos às mãos dos que nos deram vida. Vivemos,
quando nos querem mortos."
Sempre em oposição.
"O meu propósito de vida é infernizar a
tua".
Ainda bem, que tens objetivos de vida.
Gosto de títulos pomposos...
Mas preferia que estivesses aqui.
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