O ano começa com boas intenções.
Acaba de igual forma.
Mas nos outros dias todos temos outras intenções.
Para muitos o ano que passou é algo que já deveria ter acabado há muito.
Para outros deixa saudades de um tempo em que tudo foi bom demais para ser verdade.
Alguns perdem o cargo, poleiro ou a casa que sempre quiseram, enquanto há quem comece o caminho de outro sonho.
Neste instante, em que no calendário mudamos de ano, mudamos pouco ou nada do que somos, nem do que queremos ser. Apenas imaginamos uma fronteira onde o que fica, fica e o que se constrói serve de inspiração para o futuro.
Opto por hoje tomar outro caminho. O amanhã é o que fui construindo ontem. E por isso devo festejar o que passou, não o que aí vem.
Não temo os momentos desconhecidos mas agradeço os momentos que me fizeram.
Neste último ano escrevi. Pouco.
Fotografei. Pouco.
Viajei. Pouco. Menos que queria.
Mas fi-lo.
Comecei o longo trajecto de ser e fazer o que quero.
Recebi o meu primeiro Hate-mail.
Recebi os cumprimentos e o reconhecimento de quem importa e de quem não me conhece.
Vi o futuro desenhar-se na minha frente, cabendo-me apenas agarrar essa oportunidade.
Vivi aventuras e escrevi-as no tempo.
Li pouco... muito pouco.
Li por dia mais do que muitos lêem na vida. Mas o que li não me traz prazer, apenas trabalho.
Centrei-me nas amantes todas e na mulher que me faz companhia e com a qual negoceio o passo seguinte.
Neste ano que passou, os dias foram uma espécie de aventura a quatro mãos, duas objectivas e muitos quilómetros, sempre numa contínua descoberta de quem somos, de onde vimos e para onde queremos ir.
Deixei de escrever poesia. Pelo menos na forma de verso. Comecei a escrever quando podia, porque a mente não chega aos dedos, ocupados com a burocracia diária.
Preocupei-me com o dinheiro que preciso, para não ter de precisar dele. Preocupei-me em gasta-lo no que faz chorar e sorrir.
Deixei que todas essas banalidades que se vão fazendo no dia-a-dia, se tornem especiais.
E tudo se compôs....
Se vai compondo!
O ano que passa foi muito bom. E muito mau. Foi uma vida delimitada por 365 dias e seis horas.
E no entanto não chega.
Quero mais!
Se calhar neste ano que vem...