segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Copo do Dia - Comunicação por sorrisos

O sorriso é na sua essência o momento de comunicação mais puro que existe, fora o olhar. Não é possível mentir sem que o sorriso não seja ele uma mentira. E não devemos confiar quem nele não consegue confiar. O sorriso, mesmo mentiroso, garante um grau de conforto que nenhuma outra mentira garante. Mas e este é um gigante mas, nem tudo o que arqueia os lábios é sorriso. Há expressões que se fazem passar por sorriso. Mas o são. São falsificações destinadas a dar a sensação de falsa segurança.
Convém diferenciar o sorriso mentiroso do falso. Um aconchega a alma, mesmo que por curto momento.
O falso, só causa desconforto.
A ausência de um sorriso honesto acaba sempre por matar o caminho. A sua presença traz paz…

Um sorriso é!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Copo de shot - Um sorriso por dia

«A tua atitude faz apenas com haja menos um sorriso por dia, entre todos os que tenho para dar.»

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Copo rachado - Ode curta a uma perna engessada

Ode curta a uma perna engessada

Era uma vez uma perna engessada em pleno Verão. 

Aliás um conjunto de pernas engessadas em maior ou menor grau que decidiram tirar as férias aos seus utilizadores.

Talvez seja um sinal divinamente "pernal" ou mesmo pedal de que o ritmo com que tropeçamos na vida tem de abrandar.

Afinal de contas, a vida a correr, a pedalar ou mesmo a quebrar, passa tão rápido que por vezes,para nos darmos conta do evento, temos de ser acordados pelo imobilismo.

Uma perna partida, um pé dorido, um joelho contundido, uma cabeça amolgada são formas gentis de o universo dizer que o caminho que seguimos não é bem seguro. Ou pelo menos que o devemos fazer com um capacete.

Assisto assim, em meu redor, ao romper com a tradição de muitas pessoas, com os seus corpos a desfazerem-se por intervenção de um calhau metamórfico. Ou calhau bípede, conforme o momento.

E assim, agora remetidas ao descanso forçado, vivem numa prisão delimitada pelo movimento canadiano de apoio, quiçá "bengalar" almejando a libertação para um dia de sol.

Azar. 

Estais presas ao Gesso que vos envolve, como um abraço fatal. Não vos podeis queixar do frio da noite, nem as vossas extremidades intentam ser um movimento de libertação refrescante.

Por isso devo dizer-vos com humildade, que vos deveis divorciar dessa restrição. Aquece-vos para um inferno, agrilhoa-vos na vontade, serve apenas o propósito de nada fazer.

Sabendo que somos animais de hábitos, de movimento e que a inércia é um estádio reservado para os sofás digo: Libertem-se!

Chegou o momento de quebrar as correntes e não ossos.
Liberdade para os vossos tornozelos.
Liberdade para os vossos joelhos.
Deixai as tíbias respirar.
Que o vosso pé tímido seja um passo para o futuro brilhante dum Outono trocado Verão.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Copo do dia - «Embalar»

«Há momentos que ocupam a minha mente, tidos como uma traição do tempo que passa. Fazem pensar num tempo gasto, ambicionar sonhos rotos, deixar ventos passar pelos dedos que protegem a face. Há momentos que me trucidam a esperança, a vontade, o querer e o desejo. Que me desfazem nas componentes mais básicas do meu ser. E num desses momentos em absoluta simplicidade, olho para a primeira página em branco e descubro que há amores que se encontram e amores que se constroem. 
Os segundos são sempre a maior ilusão com o maior custo. 
Os primeiros não custam nada, a não ser tempo que deixamos de ter para imaginar os amores, para os ter embalados, encaixados nos braços.»

Copo Contínuo - «Tudo o que vou dizer é verdade»

«Todos os dias envio mensagens em garrafas. Espero respostas como qualquer outro. Espero o silêncio. Mas por vezes respondem e nesse momento perco a fé que o silêncio já tinha hipotecado. É difícil explicar esta motivação estranha. Afinal de contas não serve ao ego, nem ao futuro. Se calhar, porque espero que a resposta seja a que me arrebate.»

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Copo do Dia - Indefinido

«- Só queria dizer que não sei muito bem o que sinto por ti.
- Isso é simpático. E quem sabe então?
- Só te digo que EU, não sei.
- E esperas que faça o quê com essa revelação. 
Agora?

Recuei. Um passo atrás para dar dois passos em frente. Dizer-lhe que é a mulher por quem eu esperei toda minha vida, mas que... Que não é...É estranho. Aliás tão estranho que nem sei o que isso significa. Tentar definir o que sinto num piscar de olhos não é menos difícil do que pedir que um bebé em pranto se cale. E como esse infante, também eu estou em pranto. Mas silencioso. Afinal de contas tenho de dizer à mulher da minha vida, que não é a mulher da minha vida, apesar de o ser. A verdade é que ela pertence a uma vida passada, com a qual já não me identifico. Que não me diz nada. Que nada me é a não ser a memória.

E ela era o ideal de tudo o que sempre quis nessa vida. Mas eu mudei, Mudei de Vida. Fui para Londres trabalhar como corretor, como investigador, como professor, como qualquer coisa que pagasse os balúrdios que um aluguer custa. Conheci-a no East end. Falava como eu, sem sotaque. Tinha vindo do Porto. Cantora. Espadaúda. de seios ternurentos, olhar perdido no azul, voz ora doce, e à hora potente. Pernas elegantes encimadas por um pescoço. Feições curtas, maçãs salientes, queixo distinto, sobrancelhas cuidadas. Olhei para ela e apaixonei-me. 

Falei com ela, com a timidez do insucesso passado. Trouxe todas as armas de sedução afinadas pelos anos de perdas insustentáveis. Charmant, com humor refinado.  Arranquei sorrisos alegres à face sisuda. Convidei-a para um café, numa daquelas coffee shops que insistem em substituir as Tea Houses. Tea and scones, vs. Coffee and Bagels. Sendo eu o mais tradicional não nativo e ela a mais nativa não tradicional, escolhemos diferentes mundos. E fomos cruzando os caminhos do sabor. Nunca seríamos iguais. Seríamos sempre opostos. E isso fazia com que fossemos perfeitos. Excepto pelo facto de a vida ter-me feito deliciar com outros voos.

Amo-a sem a amar. Amo-a como a memória. Não. Nada disso. 
Não sei.
A minha mente é um nó górdio. Se ela o desfizer, afinal será presente.

- Amo-te. Mas amo-te como a pessoa que já não sou.
- Então és quem? - Perdendo a calma.- Foi este o homem que me arrebatou? Que me roubou sorrisos, como se fossem gotas de chuva. Dizes-me que não me amas. Ou melhor, que não és a pessoa que me ama? Sabes o Amor... Esse sentimento perversamente feliz, não chega!

- Como?
- Se ainda não percebeste isso, então o caminho que fizeste ainda não acabou, não achas?

A surpresa surgia ali. O click emancipador. O cérebro atrofiado voltava ao normal, Não era só amor. Só amar. E só quem o percebia estava no mesmo tempo que eu.
Beijei-a.

- Então casamos ou não? Sempre achei que seria eu a reticente.
- Panos e nódoas. E dúvidas.
- Cold feet, querida. 20 minutos para darmos o nó.»