quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Copo rachado - Ode curta a uma perna engessada

Ode curta a uma perna engessada

Era uma vez uma perna engessada em pleno Verão. 

Aliás um conjunto de pernas engessadas em maior ou menor grau que decidiram tirar as férias aos seus utilizadores.

Talvez seja um sinal divinamente "pernal" ou mesmo pedal de que o ritmo com que tropeçamos na vida tem de abrandar.

Afinal de contas, a vida a correr, a pedalar ou mesmo a quebrar, passa tão rápido que por vezes,para nos darmos conta do evento, temos de ser acordados pelo imobilismo.

Uma perna partida, um pé dorido, um joelho contundido, uma cabeça amolgada são formas gentis de o universo dizer que o caminho que seguimos não é bem seguro. Ou pelo menos que o devemos fazer com um capacete.

Assisto assim, em meu redor, ao romper com a tradição de muitas pessoas, com os seus corpos a desfazerem-se por intervenção de um calhau metamórfico. Ou calhau bípede, conforme o momento.

E assim, agora remetidas ao descanso forçado, vivem numa prisão delimitada pelo movimento canadiano de apoio, quiçá "bengalar" almejando a libertação para um dia de sol.

Azar. 

Estais presas ao Gesso que vos envolve, como um abraço fatal. Não vos podeis queixar do frio da noite, nem as vossas extremidades intentam ser um movimento de libertação refrescante.

Por isso devo dizer-vos com humildade, que vos deveis divorciar dessa restrição. Aquece-vos para um inferno, agrilhoa-vos na vontade, serve apenas o propósito de nada fazer.

Sabendo que somos animais de hábitos, de movimento e que a inércia é um estádio reservado para os sofás digo: Libertem-se!

Chegou o momento de quebrar as correntes e não ossos.
Liberdade para os vossos tornozelos.
Liberdade para os vossos joelhos.
Deixai as tíbias respirar.
Que o vosso pé tímido seja um passo para o futuro brilhante dum Outono trocado Verão.

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