quarta-feira, 7 de maio de 2025

Sensores de proximidade

Estamos rodeados de sensores de proximidade.

As máquinas iluminam-se à nossa passagem.

Os telefones dizem-nos bom dia, como se soubesse que ali estamos. A inteligência artificial, na sua honestidade programada, diz-nos o tempo que está, e o que vai estar.

Os meus sensores de proximidade, não se têm ativado, excepto quando te digo: Bom dia!

Bom dia, de dez mil maneiras, acompanhado de um sorriso que não posso ver, mas que sinto, em proximidade.

A minha imaginação, por proximidade do coração, vê-te sempre a sorrir para mim.

Talvez por que assim o deseje. 

Mas não posso fazer muito mais do que isso. O teu coração e o teu corpo estão à guarda de outro. 

Talvez a tua cabeça, os teus ouvidos e olhos, sejam meus por breve momentos.

E que momentos.

Ouvir-te rir, falar, espreguiçar. Que delícia de momento. De vida. Que doce envolvência me deixas.

E, no entanto, nunca aqui estiveste.

A imaginação de ti, feita por ti. Pelas tuas palavras, é tão forte como a tua presença. 

Sorrio.

E sinto-me bem.

Falo contigo todos os dias que posso. 

Podia mais. Todos os dias.

Mas não posso, todos os dias.

Que vontade de imaginar o mundo quando falamos.

E sentir que o tornas mais azul, mais doce, mais humano.

E se te disser que nunca, na minha vida houve quem o fizesse como tu?

Que as cores com que pintas a vida, são vivas demais para estar presas num peito.

E se te disser que és maior do que a vida, mas envolver-te-ia num abraço.

As duas vidas que levamos, separadas pela vida. talvez unidas por um infindável fio vermelho...

É bom viver a piada cósmica, contigo.

Porque estás.

Existes ali, junto do meu ouvido, todas as manhãs.

E um dia talvez possa sentir a tua respiração, perto, pertinho.

Dar-te mais um batimento do meu coração, como se eles não fossem intermináveis.

Dizer-te "Bom Dia!", com outra distância.

Sentir-te perto, mentido pela proximidade que pele sente, mas o olhar detém.

Estás aqui. ao meu lado, a escrever a quatro mãos.

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