Quero desejar-vos uma Páscoa Feliz, mas
não consigo.
Acho que, como tudo que na nossa vida se
está a adiar, sobretudo o convívio com os nossos entes queridos (que passam
pelos Avós, Pais e Amigos) quase que sugeria adiar a Páscoa até ao primeiro
Domingo depois da bendita Sexta-Feira em que descubram a vacina ou algo que
ajude a controlar esta doença que nos aflige.
Estes são dias estranhos, onde o habitual
é olhar para quatro paredes, pela janela, ver o Sol e a Chuva passar, ver noite
a tropeçar lentamente e o Sol (que não está em Teletrabalho) a levantar todos
os que dormiam ou a mandar embora para cama os que estavam acordados.
Todos aqueles que ainda trabalham para nós
e para eles, que fazem o pão, que nos trazem os necessários alimentos e
mercadorias, os que andam na rua a zelar pela nossa segurança, os que não
hesitam em vir ajudar-nos quando precisarmos e sim os Médicos, Enfermeiros, os
Técnicos laboratoriais, os Auxiliares…
E também os que trabalham em casa para as
empresas, nas escolas (à distância mas também lá fisicamente a alimentar quem
não tem), aqueles que ainda estão a trabalhar nas empresas, fisicamente, a
segurar o navio na tempestade e na penumbra que irá acabar. Até os servidores
públicos, que hoje são dos mais solicitados, pois tudo lhes é pedido, em nome
de quem já nada tem.
Neste momento único da nossa existência
ainda vejo quem nos queira dividir, nos queira separar, seja pela mentira
direta, seja falsidade imprópria de quem tem o dever de saber mais.
E mesmo com as dúvidas criadas, as ruas
estão quase vazias. Pediram-nos o absurdo e nós estamos a fazê-lo. Ficar em
casa. Mas as ruas não podem estar totalmente vazias, porque é preciso comer, é
preciso apanhar ar. Há quem trabalhe. E sendo preciso fazer cumprir as
regras, estas são respeitadas pelo menos a dois metros.
Para resistir, por vezes temos de ver o
Sol sem que seja pelo vidro.
Esta nossa luta faz-se sem gritos de
batalha, sem reclamações, com olhares meio cúmplices e agradecimentos dados com
um olhar.
Faz-se no silêncio.
Porque estamos a proteger quem amamos,
pela distância.
Volto à minha ideia inicial.
Adiemos a Páscoa.
Os aniversários e os festejos.
Os dias santos e tudo o mais que nos fazia
juntar.
Juntemo-nos naquele dia que há nascer como
todos os outros, em que poderemos respirar sem medo.
Em que a vida retoma o seu rumo
Em que o respeito que ganhámos pelo
Outro não desapareça.
Esperemos pelo dia que em vez de “Temos de
combinar…” Se diga “Hoje estás livre?”
Até lá, para os que não querem esperar, desejo uma Feliz Páscoa!
Aos outros, uma até já!
Sem comentários:
Enviar um comentário