O Português não gosta de sucesso.
Trabalha, mas não acredita no mérito do mesmo.
Acha que o seu valor advém do seu salário e não do seu
trabalho.
Naturalmente acha que uma besta que ganha um grande salário
é a melhor pessoa do mundo.
E a pior, porque é uma besta.
Se puder reduzir os outros à sua dimensão, fá-lo-á.
Mas
nunca lhe ocorreu crescer.
Acredita que sem esforço conseguirá fazer melhor, acabando
por nunca fazer nada.
Nem pior, nem melhor.
O português não é único.
É uma construção de um conjunto de regimes políticos com
mais de 100 anos que nos reduziram a poços sem fundo de uma sabedoria pequena e
redutora.
E Independentemente do futuro deste governo, ele perpetuou a
ignorância educada, com um dano feito a gerações.
E depois temos Ronaldo.
A máquina do futebol.
Imparável.
Que é herói e vilão. Com uma ética de trabalho e sem vergonha
na cara. E ainda bem. Porque haveria de ter vergonha de trabalhar e ser bom no
que faz e ser reconhecido pelo que é.
O português banal olha para isso e revolta-se. Ronaldo ganha
mais do que ele por 90 minutos de jogo.
O banal português não aguenta 5 minutos de corrida.
Não pensa no trabalho que isso implica.
Ronaldo estampa numa noite o que ele ganha num ano. Porque
pode.
O português banal acha que Ronaldo, não o deveria fazer e
vilipendia-o por isso.
Não quer ser lembrado que é pobre.
Não só de dinheiro, mas de espírito.
Ronaldo acerta! É um Deus.
Se falha, é uma aberração!
Mas Ronaldo, sendo humano, pode e deve falhar.
Para aprender!
O português que nem acerta nem falha, é infalível.
Tornou-se o Velho do Restelo.
Afectado pela humidade do Inverno ou Inferno constante que é a mente.
Eu não sou.
Orgulho-me do trabalho e não tenho problemas
em reconhecer e encorajar os que são melhores, nem me deixar abater pelos que
me querem pequeno.
O nosso valor, como país, como pessoas, depende da nossa capacidade de
lutar contra os que nos querem pequenos.
E não!
Não são alemães.
São portugueses.
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