A ponte que murmura,
Range com a terra que não pára.
Pesarosa da idade e com ferrugem do tempo
É ligação que agoira a passagem para a tua margem,
E a tua beira adivinha-me destino incerto.
A verdade é que a oiço murmurar.
Entre o ranger de dentes metálico
A passagem do vento tenebroso,
Por entre alicerces e tirantes.
Oiço-a protestar
As ligações que nos remetem,
De mãos dadas entre as nossas partes,
Que vão vencendo o rio que anda devagar.
Cada um destes sons é um apelo.
Uma ligação que se faz ao peito desunido.
A eternidade feita aço que amarra margens,
Numa oração perpétua,
Continua, perdida, sem…
Mais nada que dizer que não:
Ouve-me!
Procurando os dois sentidos numa travessia,
Traços contínuos que unem,
Ultrapassando a turbulência da dúvida,
Com a coragem para enfrentar um caminho segredado.
Estas pontes que apelam,
Que murmuram,
Que são braços entrelaçados,
Que são abraços.
Que são terras que beijam,
Que são pontes entre nós…
Ainda por juntar…
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