quarta-feira, 14 de maio de 2014

Copo do dia - A ponte que murmura


As pontes murmuram, rangem,
Com a idade e com ferrugem do tempo que se vai.
As minhas pontes agoiram passagem para a tua margem,
E a tua beira adivinha-me destino incerto na ponte que se move.

Oiço-as murmurar.
Entre o ranger de dentes metálico
 e a passagem do vento tenebroso,
Por entre alicerces e tirantes.

São estas ligações que nos remetem,
As Mãos dadas entre as nossas partes,
Que vencem o rio de vida que anda devagar,
E que nos fazem ser um só, apesar da água.

Mas cada um destes sons é um apelo.
Uma ligação que se faz ao peito desunido.
A eternidade feita aço, que amarra as margens,
Uma oração perpétua,
Para o que os sentidos de trânsito sejam dois,
E a meio caminho sobre a turbulência, e
Encontremos a coragem para ficar.

Estas pontes que apelam,
Que murmuram,
Que dizem olá e adeus,
Que são braços entrelaçados,
Entre as terras que nos fazem ser...
Pontes...

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