Há um beijo que não te dei.
Que nunca te irei dar.
Um que te iria convencer-te a dares-me a noite, mas nunca a
manhã.
E eu quero as manhãs.
Quero ter a luz do sol no teu olhar e não apenas o suor que
o sexo traz.
Não digo que dispenso essa deliciosa atividade,
Mas torna-se tenebrosa por ser fútil.
E de lados negros, basta a Lua que tem um que me parece
perseguir,
Por entre as noites mal dormidas.
E assim, por todos os beijos que nunca dei, continuo sem a noite
à espera da manhã,
Aguardando que haja uma alma gémea que pense o mesmo.
Mas por enquanto, as minhas manhãs são portagens para outro
dia,
Sem via alguma, de cor nenhuma,
Sem outro traço que não o raio de luz matinal que me
tortura.
Acordando-me para o inevitável mundo em que o beijo é uma
noite,
Mas sem a manhã, sem nada mais do que uma sombra vazia, num
corpo presente.
E assim recuso-me a tomar esse remédio fortuito,
Perder o tempo, numa noite, que vejo como perdida.
E no entanto, quero beijar-te!
Sem comentários:
Enviar um comentário