segunda-feira, 5 de maio de 2014

Copo do dia - Um beijo por dar


Há um beijo que não te dei.
Que nunca te irei dar.
Um que te iria convencer-te a dares-me a noite, mas nunca a manhã.
E eu quero as manhãs.
Quero ter a luz do sol no teu olhar e não apenas o suor que o sexo traz.
Não digo que dispenso essa deliciosa atividade,
Mas torna-se tenebrosa por ser fútil.
E de lados negros, basta a Lua que tem um que me parece perseguir,
Por entre as noites mal dormidas.
E assim, por todos os beijos que nunca dei, continuo sem a noite à espera da manhã,
Aguardando que haja uma alma gémea que pense o mesmo.
Mas por enquanto, as minhas manhãs são portagens para outro dia,
Sem via alguma, de cor nenhuma,
Sem outro traço que não o raio de luz matinal que me tortura.
Acordando-me para o inevitável mundo em que o beijo é uma noite,
Mas sem a manhã, sem nada mais do que uma sombra vazia, num corpo presente.
E assim recuso-me a tomar esse remédio fortuito,
Perder o tempo, numa noite, que vejo como perdida.

E no entanto, quero beijar-te!

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