terça-feira, 13 de maio de 2014

Copo do Dia - Desejo com entrada livre


Desejo,
Como ser vivo, que a entrada
Nesse teu recanto, seja livre de pesos passados.
Mas que tenha em si a história que nos separa perdida,
Com a caneta que nos une, junto a teu peito.
Desejo por isso, com a calma que só a fúria apaixonada é capaz de conter,
Que os momentos futuros sejam por eles justificação dos pecados passados nas mãos
Que passaram pelos corpos que fomos deixando pelo caminho.

Desejo ainda, com parcimónia, que o caminho que fazemos,
Seja pontuado da necessidade de o descobrir,
Ao caminho,
Mas não apenas por ser desconhecido.
Desejo descobrir as pedras que pisamos, contar-lhes a nossa história e deixar ao futuro uma mensagem que nós, só nós conhecemos.

Sim.

Desejo que um objecto inanimado presente
Seja mensageiro para outro dia.
Sempre é melhor do que mensageiro com mensagem inanimada,
Sobre um passado sem rumo.
E perguntas com a certeza de uma resposta que não conheces,
Que mensagem simples é essa, capaz de ser apreendida por um calhau.
Respondo, simplesmente, que o caminho pertence a quem por ele nada queira pagar,

Mas que esteja disposto a gastar tudo, a mantê-lo.
Porque não é o dia do desejo que conta, mas o dia seguinte.

Por isso,
Desejo, com entrada livre.
Desconfio que o resto do caminho contará com mais de mim!


E tu?

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