Desejo,
Como ser vivo, que a entrada
Nesse teu recanto, seja livre de pesos passados.
Mas que tenha em si a história que nos separa perdida,
Com a caneta que nos une, junto a teu peito.
Desejo por isso, com a calma que só a fúria apaixonada é
capaz de conter,
Que os momentos futuros sejam por eles justificação dos
pecados passados nas mãos
Que passaram pelos corpos que fomos deixando pelo caminho.
Desejo ainda, com parcimónia, que o caminho que fazemos,
Seja pontuado da necessidade de o descobrir,
Ao caminho,
Mas não apenas por ser desconhecido.
Desejo descobrir as pedras que pisamos, contar-lhes a nossa
história e deixar ao futuro uma mensagem que nós, só nós conhecemos.
Sim.
Desejo que um objecto inanimado presente
Seja mensageiro para outro dia.
Sempre é melhor do que mensageiro com mensagem inanimada,
Sobre um passado sem rumo.
E perguntas com a certeza de uma resposta que não conheces,
Que mensagem simples é essa, capaz de ser apreendida por um
calhau.
Respondo, simplesmente, que o caminho pertence a quem por ele
nada queira pagar,
Mas que esteja disposto a gastar tudo, a mantê-lo.
Porque não é o dia do desejo que conta, mas o dia seguinte.
Por isso,
Desejo, com entrada livre.
Desconfio que o resto do caminho contará com mais de mim!
E tu?
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