quarta-feira, 25 de junho de 2014

Copo do Dia - Infinitudes

Infinitudes

Já me tinha dado conta, mesmo sem saber,
Que todos os momentos que tive contigo,
Foram sem fim, colados uns aos outros como
Vidas que se gastavam na procura de um sentido contido em si.

Dei-me conta que mesmo sendo a última de um percurso,
Que, no entanto, só agora começa,
Acabas por ser a primeira de todas que se cruzam e enrolam,
Que imbuem dos cheiros que me fazem sonhar.
Daí ter aprendido que um infinito pode ser maior ou menor,
Consoante o caminho que ele toma.
O que acaba por ser um poema em duas pernas que percorre
As ruelas esconsas deste corpo.

Amei-te.
Perdidamente. Infinitamente.
Pelo curto tempo em que partilhaste uma cama e o sexo,
Neste primeiros 20 anos dos meus últimos minutos.
Tiveste tantos nomes, tantos beijos doces, com tantos sabores diferentes.
Foste tantas pessoas ao mesmo tempo, em tempos infinitos diferentes.

Amei-te a ponto de morrer. Dezenas de vezes.
Amaste-me a ponto de facilmente me matares.
Assim só alguns tempos merecem ficar.
Por sem fim que sejam, só alguns são memória digna.
Só alguns são nomes que ficam no infinito que fomos.

E agora que faço?
Que outro infinto procuro?
Qual a essência que espero encontrar num Universo de infinitas possibilidades?
De infinitudes, umas maiores do que outras.

Sabes, tenho frio.
Os 40 graus à sombra não aquecem.
Nem se estivesse frio na pele, mais frio poderia ficar.
Ser infinito, também significa perder infinitamente.
Perder tudo, uma e outra vez.
Ficar sem nada para o tempo que dura o para sempre,
Neste físico em que o para sempre é relativo.

Acabo por entender sozinho, embora tenha sido uma compreensão lenta do infinito tempo que mediou a tua entrada naquela sala e o meu olhar cair em ti,
Que o tempo é o que queremos que seja.
Pode ser um beijo infinito, como tantas vezes descrito.
Emergir de uma nuvem do teu perfume humano,
Sugestão do teu sexo, do teu corpo e do teu olhar…
Por um tempo indeterminado por mãos humanas, mas único na dimensão…

Sim, o olhar também tem cheiro.
Tem o cheiro do mar, do ar, do sentir, doce…
Açúcar ou Pimenta.
Tem cheiro de revolta.
De carinho.
Cheiro a tudo o que o nariz cheira.
Inclusive o cheiro que passa, quando vejo a tua passagem.

Infinitude.
Infinito.
Sempre fui.
Nunca serei.
À espera de um momento que dure para sempre,
Durando apenas uma vida.
Ou um beijo teu.
Um beijo meu.

Um infinito maior que o outro.

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