Na sexta passada não fiz a minha estreia na feira do livro.
Ou melhor fiz...
Não dei um único autografo para a obra que contribuí.
É verdade que sou 1/25
avos do livro… mas pelo menos merecia 1/25 avos dos leitores…
A estranheza com que olhavam para o livro, para o título,
não me incomodou.
Incomodou-me que um manual de agricultura tradicional fosse
comprada por pessoas que nunca meteram a mão na terra e o mais próximo da
natureza que estiveram, fosse a pasta de papel que constituía esse aglomerado de instruções.
Não me senti esquecido pela feira. Aliás insistiam em enfiar
o meu nome nos ouvidos das pessoas, de
quarto em quarto.
Até eu me fartei.
Aproveitei para escrever. Bastante.
Ah! Afinal gatafunhei, mas o bloco de notas.
Fui criando personagens reais, baseadas em factos fictícios.
Fui criando um rumo, na realidade da calçada do Eduardo VII, apresentando um
Livro de um Eduardo.
E nesse curso apenas um Pombo teve coragem de se aproximar.
Estava curioso. Queria saber mais. Ainda lhe ofereci um
autógrafo… Disse-me na sua língua que tinha deixado a carteira noutras penas.
Olhou para mim. Inclinou a cabeça em descrédito pelo tema e bateu asas.
por seu lado, os humanos passavam.
Pequenos e graúdos. Olhavam para o dourado e negro do livro,
esperando ver um título fofinho.
Mas não.
Era título sacana. Afugentador.
Acabei o meu turno de gatafunhagem.
Passaram patos reais a voar…
E autógrafos, foram três da banda em diante.
Faltou um bar…
Canalhas esses, andavam por lá…
A espreitar os livros.
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