segunda-feira, 12 de junho de 2017

Copo do dia - O Pombo


Na sexta passada não fiz a minha estreia na feira do livro. 
Ou melhor fiz...

Não dei um único autografo para a obra que contribuí.

É verdade que sou 1/25 avos do livro… mas pelo menos merecia 1/25 avos dos leitores…

A estranheza com que olhavam para o livro, para o título, não me incomodou. 

Incomodou-me que um manual de agricultura tradicional fosse comprada por pessoas que nunca meteram a mão na terra e o mais próximo da natureza que estiveram, fosse a pasta de papel que constituía esse aglomerado de instruções.

Não me senti esquecido pela feira. Aliás insistiam em enfiar o meu nome nos ouvidos das pessoas,  de quarto em quarto.  
Até eu me fartei.
Aproveitei para escrever. Bastante.

Ah! Afinal gatafunhei, mas o bloco de notas.

Fui criando personagens reais, baseadas em factos fictícios. 
Fui criando um rumo, na realidade da calçada do Eduardo VII, apresentando um Livro de um Eduardo. 
E nesse curso apenas um Pombo teve coragem de se aproximar.
Estava curioso. Queria saber mais. Ainda lhe ofereci um autógrafo… Disse-me na sua língua que tinha deixado a carteira noutras penas. Olhou para mim. Inclinou a cabeça em descrédito pelo tema e bateu asas.
por seu lado, os humanos passavam.
Pequenos e graúdos. Olhavam para o dourado e negro do livro, esperando ver um título fofinho.
Mas não.
Era título sacana. Afugentador.
Acabei o meu turno de gatafunhagem.
Passaram patos reais a voar…
E autógrafos, foram três da banda em diante.
Faltou um bar…

Canalhas esses, andavam por lá… 
A espreitar os livros.

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