Nuvens de algodão branco ladeadas por cinzas de chuva,
Violetas pelo chão até ao palácio branco.
Estátuas alaranjadas pela ferrugem do tempo,
Pela humidade que faz crescer a erva verde por entre pedras pretas
e brancas.
A estrada negra, os carros invariavelmente cinzentos,
O meu humor negro, perecido com uma disposição ela própria escura.
A pele rosada em cima do teclado creme, ao lado do candeeiro
com todas as cores e nenhuma.
A mesa cor de madeira, como se madeira fosse cor e a mesa
não fosse uma árvore fingida.
Os sapatos castanhos, a sola gasta.
A camisa mais celeste que o céu e o olhar que veríamos com
todas as cores que quisesses.
Sim, não estou muito optimista hoje.
Não posso estar.
Não tenho o teu olhar.
E também não o quero.
Já não tenho o teu abraço.
E também não o quero.
Já não tenho o teu corpo…
E também não o quero.
Não quero nada do passado que foi.
Nem a saudade que já não me pertence…
És uma memória que me enche.
E que por comparação me faz parecer vazio...
Mas não estou!
Procuro, encontro e perco as vidas todas, procurando uma que
se queira juntar.
Uma que me traga tristeza pela sua ausência e esperança pelo
seu regresso.
O desejo de um acordar e de um deitar.
De não largar os lençóis que se tornam abraços,
E braços que envolvem um olhar.
De que cor é a esperança?
Terá todas as cores?
Terá a cor de olhos que trouxeres contigo?
Até os lábios têm cores diferentes,
Sabores diferentes, como se estivessem de alguma
forma perfumados com os frutos mais vermelhos.
Ou mais ácidos.
Ou doces…
Ou nada.
A esperança tem a cor de um sorriso.
Quando esse sorriso não é dor escondida.
Procura de uma refeição que acalente…
De tudo o que aqueça, até o Sol, que é laranja no fim do dia
e amarelo no seu nascer.
Cores, tantas cores…
E agora resta o café, cor de café, medianamente torrado pelo
tempo…
Castanho, negro, amargo,
Ou mesmo doce vindo das terras de sul.
Ou mesmo deslavado pela cor da água que o faz.
Haverá um que se queira deixar na chávena que todos os dias
tomo,
para ter a energia
para ver a cores?
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