A Desinvenção do Amor.
O amor não existe.
Ou melhor existe.
Desde que foi inventado pelo teu amor.
Amor esse que não existe.
Pois não acredito em ti.
Nem nesse...Amor... que me dizes ter.
Parece-me despropositado.
Afinal quem quer respirar o outro, todas as horas do mundo?
Sentir o vibrar da sua pele debaixo dos seus dedos.
Encontrar no olhar um abraço,
E num sorriso um regaço?
O amor não existe!
O teu amor não existe.
Não existe o trepidar de um coração, o salto de um compasso tolhido,
As lagrimas de alegria, a morte aparente após êxtase.
Nada disso existe.
Nada disso existe...
Óh meu amor...
Este amor que me falas sem nada me dizeres,
Essa ausência transposta em dor,
pelos momentos breves em que nos separamos em dois corpos,
O ardor de um toque ausente,
Nada, mas nada disso, existe.
Nem sequer nós existimos nessa ideia,
Porque seríamos feitos dessa substância inaudita,
Invisível,
Que parece poluir as mentes dos homens.
É a nossa sorte,
São palavras perdidas numa folha de papel...
E no entanto,
há um sentimento perdido nelas.
Algo forte,
Algo que não consigo enunciar.
Mas com altivo porte.
Não sei...
A minha ausência de ti,
Irá certamente aclarar as ideias que tenho.
Detesto perder-me na confusão dessa palavra.
Detesto sentir-me acossado pela enxurrada de ideias,
Calorias energéticas que parecem correr o meu corpo.
Acho impossível sentir-me capaz de mais do que o possível,
Como se esse momento incerto desse força mirífica.
Enfim não percebo esta existência pautada por...isto.
Renego com todas as minhas forças essas quatro letras.
Não é possível.
Nem pode durar para sempre...
A pessoa hoje, amanhã já não é.
Amar não é desconhecer.
É conhecer.
E se todos os dias conheces de novo, não amas.
Apaixonas-te.
Paixão, sim, existe.
Pura química.
Puro deleite.
Puro eterno.
Porque tem de ser renovado todos os dias.
E Paixão renovada todos os dias é o que tu chamas Amor.
Por isso não existe o Amor.
Existe o acordar todos os dias,
Ao lado da tua paixão.
Do teu desejo.
Não existe amor.
Existe Amanhã!
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