Lembrei-me dos dias passados, debaixo da sombra dos teus seios.
Sol obscurecido, em dimensão afável, que não impedia o cegar momentâneo.
A cabeça, minha, assente no colo, teu, deliciada com a visão de um olhar que aconchega.
Um momento de ternura que deixa desejo e toque que deixa saudade.
Assim estavam as nossas tardes, enredados dedos, pendurados num olhar...
E Agora?
O meu pescoço moldou-se às tuas pernas.
Os meus dedos são o negativo dos teus.
O meu olhar é infinito porque não choca com o teu...
Até o meu sorriso tem fim, quando o pensamento se afasta de ti.
Rio...
Afinal de contas o meu corpo e o teu, são duas partes de nós.
Ajustados pela cama. Pelo abraço. por uma infinidade de assentimentos,
De zangas, com final feliz.
Os nossos corpos, que se tocam, nús,
Vestidos, sem pele, sem outro toque que não o sopro que respira,
Que arrepia, que faz correr aquela sensação de temor...
Pelo chegar da manhã que separa.
E agora?
Agora regresso ao teu colo.
Aconchego-me às tuas pernas.
Beijo todas as sombras,
Encosto as mãos no teu amâgo,
Oiço dois corações bater.
E penso, que amanhã, o meu abraço já não chega.
Porque o nós já é maior.
E não tarda, mais um olhar.
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