quarta-feira, 6 de abril de 2016

Copo do dia - Ou há moralidade ou...

Assoma-se o maior escândalo de corrupção que alguma vez assombrou o mundo depois da Torre de Babel.

Sim escândalo. Imenso investimento público aplicado em construção de um edifício gigantesco,com graves lacunas de engenharia, falta de comunicação e corrupção generalizada, uma vez que parecia que ninguém falava a mesma língua.

Nem vos falo de idoneidade, essa grande farsa do mundo moderno. Honra, essa,  só mesmo entre ladrões.

Assomou-se um político honesto e incorruptível às rédeas do poder. O facto inédito foi notícia. Era pobre e honesto, trabalhava para viver e dele nunca se ouviu falar de favor feito ou pedido. Não tinha afilhados, sobrinhos, de sangue ou de dinheiro, Não tinha padrinhos, tios cunhas ou cunhados. Este homem era uma espécie de profeta na política. Após ele nada seria como dantes.

Como chegou ele ao poder? 
Por engano. alguém se enganou no seu nome nos boletins de votos. Ou melhor, trocaram-no pelo de um outro político, esse já mais consentâneo com a tradição de pirataria.

Um só letra, uma inicial mudou o rumo da história desta nossa nação gloriosa.
Com a sua ascenção, os oprimidos honestos, aqueles que trabalhavam incessantemente pelos outros que vangloriavam da riqueza acumulada, tomaram eles próprio as rédeas do poder.

Primeiro trocaram os juízes e os juristas por quem tenha lido a lei e colocasse a ética da justiça acima da da lei. As condenações surgiram como um onda gigante devastadora. Não tardou que houvesse cada vez menos a guardar e mais a serem guardados.

Depois  substituíram os governantes, aqueles acima dos que trabalham e abaixo do que pensam que mandam. Acabaram-se os défices e a má gestão. Não tardámos a ser exemplos para o mundo.

A medida seguinte foi polémica. Emprego Universal. Ninguém mais recebe sem trabalhar. E os que não podem?
Podem, podem. Arranja-se trabalho, que não andamos para sustentar indigentes.

Entre a população começou a haver uma pequena revolta. Um ressentimento.  Afinal todos tinham alguém doente na família. Protestaram...

O homem, político honesto, ouviu. Também isso era uma inovação. Criou uma lei para que as pessoas que comprovadamente não podiam trabalhar, tivessem comida, roupa lavada e um rendimento para uma casa digna.

A arraia miúda louvou o homem honesto.

Mas não tardou que todos os que tinham e os que não tinham lhe viessem pedir algo. E um bom homem sabe negar e apoiar.
Tarde apercebeu-se do seu erro. Dera aos justos e os pecadores também queriam.

Menos de 12 meses, por um acto de boa fé, o bom homem, bom político, demitiu-se...

Ou há moralidade ou comem todos...

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