Junte-se um garrafão, (sim, daqueles como se via ser vendido o vinho mais pulhento, capaz de te dar um coice à traição), a uma aguardente caseira. Misture-se um copo e uma boca sedenta. Desta mistura resultam várias coisas: Uma ressaca, um dos melhores desinfectantes da alma e ou uma noite agarrado ao trono de um reino que ninguém quer.
Há uma estranha noção de que no vinho está a verdade. Quem o disse nunca provou daquela destilação de um qualquer cereal, tubérculo ou coisa afim, límpida e cristalina, capaz de cegar em excesso e de nos dar visão em excesso, quando apenas molhados os lábios.
Sim, esta é uma ode à bebedeira, que um copo (ou muitos) trazem consigo. Nesse estado nada surge sem uma razão e tudo tem uma. O acto mais inusitado justifica-se por ele próprio.
A bebedeira que vários copos trazem, é um alteração do estado de consciência. Um estado mais liberto das restrições. Aquele momento preciso em que Universo fala contigo. No entanto esse milissegundo antecede uma acção de devolução a esse mesmo Universo, que se apanha alguém pelo caminho é mais uma manifestação de Karma.
Porque discorro sobre 5 litros de combustível líquido para a alma e para um motor de veículo multi-fuel?
Por nada. Talvez porque nunca apanhei uma bebedeira de caixão ao céu. Porque por mais que o meu fígado insista, o meu estômago regista protestos atrás de protestos.
Ernest Hemingway dizia que o mundo estava três Whiskys atrasado. Eu sinto que estou 4. Detesto perder a capacidade de escrever coerentemente. Por outro lado o sonho e a imaginação de uma bebida branca fazem-me falta (não fosse este texto demonstração disso).
Uma alma torturada escreve melhor.
Uma alma torturada e com 40% de álcool no copo, escreveria melhor ainda, se as palavras não saíssem entarameladas.
É cruel viver assim, sem sonhar o sonho da aguardente.
É cruel viver assim, com o sonho da aguardente.
Ter uma ressaca de meio dia.
De meia vida...
Sem comentários:
Enviar um comentário