Entrámos no Outono.
As estações enchem-se de água
pisada. As pessoas comportam-se como se o Verão fosse apenas um calor que
acabou de passar e o frio que sente na espinha não é mais do que um prenúncio.
É Outono.
Mais um que faz anos. Mais um vai
ser pai. Mais um que não vai ser. Um que emigrou. Uma que emigrou. Um que se
ofende por tuta e meia. Outro por meia tuta.
Há o bera que ignora quem lhe
pede ajuda.
Há o bonzinho que ignora quem
ajuda lhe pede.
Há a miúda petulante que irrita
por ser jovem.
Há o velho que enoja por
continuar a ser um miúdo atrás de saias.
Havemos de lá chegar!
Há de tudo. E não há muito a
dizer.
É só uma passagem pelo corredor
do centro comercial. É o estranho que ouve as tuas conversas. Mesmo que seja um
conhecido, é estranho por ouvir a tuas conversas.
És um texto feito de pedaços.
Com cola de merda a junta-los. É
a utilização descabida de vernáculo num texto limpinho, que nada de bom augura
ao seu futuro, Fo…-se.
Este é um texto taxista, mas sem
violência. É uma pequena viagem pelos ruídos. É um caminho dos mais indirectos
para chegar ao “Amo-te!”. Ou ao “Odeio-te”. Ou “Irritas-me!”.
Ainda estou desalojado.
Já é Outono.
Queria um verão quente com ar
condicionado. Vou ter um Inferno frio à procura de pouso. Sugeriram-me uma
auto-caravana.
Agradeci.
Sugeri-lhes que tirassem a cabeça
do traseiro.
A petulância irrita-me. Inconveniência.
Arrogância. Irrita-me. Reconheço-a à distância. É uma pequena vergonha para a
Humanidade.
Já fui assim.
Escrevo bem, dizem. Não sei.
Falta-me a estima de pensar que
sou o Número 1 do meu Top de Números 1.
Vejo pessoas que não têm esse
problema.
Pior, sinto-lhes o cheiro.
É Outono. O Inverno está à
espreita. Se o apanho dou-lhe uma coça.
E depois, dá-me ele uma.
E depois, dá-me ele uma.
Amo-te! Já te disse isso hoje?
Quero ter ter filhos contigo!
Hoje não. A preparação é boa. A execução
problemática. Especialmente se for curta.
Depressa e bem, só o padeiro.
É uma chatice.
A tua Sobrinha fofinha vem cá
dormir. Há-de ser um pedaço de mulher e causar cabelos brancos ao pai dela.
E aos namorados.
A mim, mata-me mais uma célula
cada vez que berra.
Tem pulmão de cantora de ópera,
como qualquer criança daquela idade.
Gostava de ter uma cópia dela.
Com botão de volume.
Há pessoas que deviam trazer um
Botão “Mute”. Ou “self-destruct”!
Estou a ser cruel.
Afinal essas pessoas têm família.
Já pensaram que poderia ser um
alívio?
É como ser do Benfica e ter um
filho taxista. Demasiadas desgraças juntas. Uma espécie de Autoestrada para o
inferno da Luz.
Bah, Tretas!
Deu bola.
Deu na bola.
Bate na bola.
Bate mal na bola.
Ou será da Bola?
Bah, tretas ao quadrado!
«As palavras são sempre pesadas.
Mas algumas têm asas!»
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