quarta-feira, 15 de abril de 2015

Copo do dia - O Bufo

O bufo

Era uma vez Aristides. Era um bufo. Um bufo real. Era um belo animal. Uma Ave. Uma ave rara. Um bufo é uma ave de rapina. Oportunista mas também excelente caçador. Faz uso da visão apurada e da eco-localização para saber onde anda o pobre roedor que vai ver a sua vida dificultada.
Não tem peneiras em, com as suas garras fortíssimas, desfazer uma presa. Mesmo  que essa presa por incauta não mereça maior atenção do que aquela que Aristides lhe dará.
Convenhamos que, no jogo da vida, as verdades e mentiras que inventamos para nós e para os outros de nada interessam. São apenas pormenores para garantir a boa convivência em conivência. Ora Aristides, Ave rara e nocturna, pouco ou nada quer saber dessas convenções. Quer ver o seu prato cheio. Nada mais, nada menos. E por isso caça.
Todos os indícios são perseguidos por mais falsos que possam ser.
Mas Aristides, ave rara, ave nocturna não esmorece. E muitos pequenos roedores, que vivem a sua vida calmamente, são depredados por sua culpa, despedaçados pelas garras anónimas.
Aristides, ave rara, ave nocturna, não terá dó para encher o seu estômago mesmo que em troca só dê ar.

Tenho pena que Aristides, ave rara, ave nocturna seja uma pessoa e não o belo Bufo Real que vi pousado, uma vez, ali para os lados de Mafra.

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