O bufo
Era uma vez Aristides. Era um
bufo. Um bufo real. Era um belo animal. Uma
Ave. Uma ave rara. Um bufo é uma ave de rapina. Oportunista mas também excelente caçador.
Faz uso da visão apurada e da eco-localização para saber onde anda o pobre roedor
que vai ver a sua vida dificultada.
Não tem peneiras em, com as suas
garras fortíssimas, desfazer uma presa. Mesmo que essa presa por incauta não mereça maior
atenção do que aquela que Aristides lhe dará.
Convenhamos que, no jogo da vida,
as verdades e mentiras que inventamos para nós e para os outros de nada
interessam. São apenas pormenores para garantir a boa convivência em conivência.
Ora Aristides, Ave rara e nocturna, pouco ou nada quer saber dessas convenções.
Quer ver o seu prato cheio. Nada mais, nada menos. E por isso caça.
Todos os indícios são perseguidos
por mais falsos que possam ser.
Mas Aristides, ave rara, ave nocturna
não esmorece. E muitos pequenos roedores, que vivem a sua vida calmamente, são
depredados por sua culpa, despedaçados pelas garras anónimas.
Aristides, ave rara, ave nocturna,
não terá dó para encher o seu estômago mesmo que em troca só dê ar.
Tenho pena que Aristides, ave
rara, ave nocturna seja uma pessoa e não o belo Bufo Real que vi pousado, uma
vez, ali para os lados de Mafra.
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