Continuo apesar deste tempo,
Apesar de todo o sentimento,
Apesar de não sentir assim tanto,
Sem perceber o quanto
Importante és, por não o seres.
Não há razão alguma neste mundo terreno,
Nem no celestial que habitas para mim,
Para que a minha te absorva em todas as tuas presenças,
Como a pessoa que serias o que nunca vais querer ser.
O meu espanto é, por momentos lúcidos,
A demonstração de uma inquirição de um momento
Que insisto em não perder.
Sabendo eu que não te amo.
Que não te quero.
Que já não penso.
Sinto a tua presença apertando-me o pescoço,
A mão e o coração num aparente dom de ubiquidade.
A verdade, a razão a aparência de mulher feita,
De amores confusos, de mente equivocada,
Nublada pela ausência de corpo,
É em tudo similar à minha ausência,
De amores interpelativos,
equivocados,
Nublados pela tua distância presentes,
Pelo desejo de te ver e ouvir,
Pelo teu olhar que me turva a noite calma,
Que passo sozinho entre os lençóis do céu,
Sem ti, ou mesmo sem mim, porque em sonhos,
Ainda persigo a interrogação.
Afinal de contas quem és tu para me ocupares a Paixão?
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