«Todos os dias vejo passar diante
dos meus olhos, coisas que desafiam a minha verdade. Não que ela seja maior do
que as outras, mas estimo-a com carinho e cuidado, pelo que vê-la por terra não
faz parte da minha maneira de a proteger.
A minha verdade, que fala por
vezes no ar e noutras assente em páginas, não é perfeita, mas como qualquer ser
vivo, evolui. E como tal muda. E como tal cresce.
Cresce com cada nova página que
faz a sua base. Onde ela se assenta.
Por isso a minha verdade, não
sendo maior do que as outras verdades, é irmã de muitas que pelo nosso mundo, pelos
nossos olhos e nossas mãos circulam, sem serem perfeitas.
A verdade diz-me que quem nos
rodeia prefere mentiras convenientes. Ou verdades convenientes. E outras coisas
são dissimuladas de falsidade. Outros há que preferem o absurdo maior, como
prova de que a verdade, a deles, independentemente de só ser feita de ar, é
firme.
Faz parte da nossa natureza
termos a verdade, como animal domado. E a verdade é que não gosta de ser
aprisionada, porque a partir desse momento deixa de o ser.
Assim, nesta breve reflexão, a
única verdade que me resta é a de reconhecer que só uma liberta pode ser
verdadeira.
E eu, só livre, poderei ser
verdadeiro.»
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