quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Copo do Dia - Textos Soltos IV

Passam uns pares de dias desde que a tua voz se ausentou. Na realidade passam demasiados minutos para que a minha mente os conte. A incerteza que essa intemporalidade me traz, retira-me o pó dos pensamentos, mas levanta-me da terra. Faz-me deambular pelos corredores organizados da memória que tenho perdida nos confins da cidade que se transfigura no que sinto por ti. Uma viagem algo ingrata. As ruas desta cidade são das mais belas e das mais lúgubres, cinzentas pela poluição dos dias iguais aos outros, brancas pelos momentos em que penso em nós. Luminosas pelos momentos em que somos um só momento. E no entanto, como uma cidade real, há locais onde não ouso ir. Onde os caminhos são traiçoeiros, pejados de perigosas armadilhas, feitas de outros momentos.

Confesso! Vou atravessar esses mundos negros. É a única maneira de chegar aos dias em que estamos. É a única maneira de reconstruir a cidade. A única de viver os pares de dias que aí vêm.

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