Passam uns pares de dias desde
que a tua voz se ausentou. Na realidade passam demasiados minutos para que a
minha mente os conte. A incerteza que essa intemporalidade me traz, retira-me o
pó dos pensamentos, mas levanta-me da terra. Faz-me deambular pelos corredores
organizados da memória que tenho perdida nos confins da cidade que se
transfigura no que sinto por ti. Uma viagem algo ingrata. As ruas desta cidade
são das mais belas e das mais lúgubres, cinzentas pela poluição dos dias iguais
aos outros, brancas pelos momentos em que penso em nós. Luminosas pelos
momentos em que somos um só momento. E no entanto, como uma cidade real, há
locais onde não ouso ir. Onde os caminhos são traiçoeiros, pejados de perigosas
armadilhas, feitas de outros momentos.
Confesso! Vou atravessar esses mundos
negros. É a única maneira de chegar aos dias em que estamos. É a única maneira
de reconstruir a cidade. A única de viver os pares de dias que aí vêm.
Sem comentários:
Enviar um comentário