quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Copo do Dia - Textos Soltos II

Cada pedra da calçada lembra-me uma lágrima tua. Com cada passo lembro-me que choravas muito. Pelo teu amor. Pelo amor outro. Pelo Amor da tua vida. Pelo amor da vida que vem. Pelo amor que se foi. Choravas muito pelos teus amores. mas nunca choraste por ti. Pelo amor que não te tinhas. Pela quantidade de vezes que te deste...Por nada. E pelo nada que sentias no coração vazio. O problema de usares o coração como depósito de amor, a encher na estação de serviço chamada José, Tiago ou Quim, é que resultava sempre num consumar. Até porque não eras poupada no caminho. Consumias namorados ao ritmo de 2 ou 3 por ano, com fases em que só paravas para abastecer o suficiente até ao próximo. E eu? Eu assistia. Dizia-te «Tem calma», «Cresce...» Não servia. A receita era minha. Diferente do caminho que fazias. Serviu para mim, que não funciono a amor.

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