O meu olhar triste, aquele que me
atribuis, pela neutralidade da existência é apenas um olhar normal, ainda que
visto com os olhos de um olhar mais novo, a quem lhe parece triste.
Mas não. Não é triste. Se calhar é a inexpressividade a
que me arrogo que o faz parecer assim. E como poderia eu ter tal olhar e olhar
para ti, como olho para o dia que nasce, com a perspectiva de que as nuvens
sejam passageiras num qualquer voo low-cost daqui para outro mundo.
Mas não. O meu olhar não é
triste. Só não brilha por ti. Lamento, é a verdade. Não brilha. Não reluz com a
tua luz. Não é iluminado pela tua passagem. Mas já foi. Foi-o antes de me trocares
pelo amor ao pedaço de plástico ou pelo fascínio momentâneo que te faz sentir ser
maior por osmose, não pelo que crias. Maior, apenas pela companhia. Trocaste-me
pela ilusão, sendo eu próprio uma. E no final do dia, o meu olhar, à tua passagem
é indiferente. Se calhar é triste. Porque passas por mim e tapas o Sol.
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