Há dois caminhos
Há sempre dois caminhos ladeados de árvores que vão dar às rotundas que tomamos por decisões.
São rotundas ilusões de caminhos a escolher, entre os dois caminhos que são um com dois sentidos.
Quando conheci a aquela miúda reguila, de cabelo cor de avelã, apresentada como filha aos seus cinco anos, percebi que a minha vida de solteirão mudara. Mudara porque nunca fora tipo de me esquivar a responsabilidades. E se tivera sustos na carreira de gestor de alegrias momentâneas, nunca fora confrontado com a vida criada pelo acto.
A verdade, essa verdade, é que agora era Pai. Aliás já era, mas desconhecia. A mãe, incauta mulher, cujas formas secas, agora abrangiam mais carne e cansaço, pedia-me encarecidamente com a voz em tom de ordem, que já era tempo de assumir o caminho da paternidade. Mesmo que entre ela e eu restasse apenas uma terna memória de uma noite perdida numa cama algures no "Porto Sentido" do Rui Veloso.
Dia 6 de Junho. Quase há 6 anos. Quase uma noite. Quase nada. Não me lembro de me levantar, agradecer o acolhimento, a noite que se gastou num entrelaçado de ossos e tendões.
Ainda houve mais uns telefonemas. Mais uns pedidos… Mais uns «Quando voltas ao Porto?»
Voltei. Mais vezes. Todas as semanas. Mas nunca mais a vi. Até ontem. Até me apresentar a pequena Luísa. Nome da Mãe, da tia da avô, nome perdido. Nome que gostava. Eu sei lá… fiquei enternecido quando a vi. Chocado quando me disse: É tua!
Vernáculo à moda do Porto. Imenso vernáculo contido na boca, como se fosse um vómito retido. Estômago às voltas como se não houvesse comida que se segurasse.
Qual chá…
Combinamos encontrar-mo-nos no Majestic!
Pedir um Cimbalino.
Não!
Pedir um Whisky duplo. Sem gelo. Bebê-lo de um trago. Não há café que segure a surpresa… Fazê-lo longe da miúda.
Apaixonar-me no instante antes. Angustiar no momento depois.
E agora?
Agora tenho uma filha. Vivo em Lisboa. Tenho as namoradas ocasionais a quererem ser mães de futuros rebentos… Isto vai ser complicado. Ou não…
Mas agora não penso noutra coisa.
Cor de avelã. Cabelos!
Azul do Mar. Olhos!
Sorriso! Meu, talvez!
Corpo da Mãe? Sei lá!
Filha minha? Após comprovação.
Filha minha? Se não for coração partido.
Paixão? De certeza.
Acordei ficar com ela um mês no Verão. Com as regras da casa transpostas. Se a Luísa se sentir mal, volta. Se quiser fica.
Começo a fazer planos.
A fazer caminhos.
A fazer o caminho em direcção à rotunda que só tem um sentido.
Não vejo outro caminho.
Também não quero.
Há sempre dois caminhos ladeados de árvores que vão dar às rotundas que tomamos por decisões.
São rotundas ilusões de caminhos a escolher, entre os dois caminhos que são um com dois sentidos.
Quando conheci a aquela miúda reguila, de cabelo cor de avelã, apresentada como filha aos seus cinco anos, percebi que a minha vida de solteirão mudara. Mudara porque nunca fora tipo de me esquivar a responsabilidades. E se tivera sustos na carreira de gestor de alegrias momentâneas, nunca fora confrontado com a vida criada pelo acto.
A verdade, essa verdade, é que agora era Pai. Aliás já era, mas desconhecia. A mãe, incauta mulher, cujas formas secas, agora abrangiam mais carne e cansaço, pedia-me encarecidamente com a voz em tom de ordem, que já era tempo de assumir o caminho da paternidade. Mesmo que entre ela e eu restasse apenas uma terna memória de uma noite perdida numa cama algures no "Porto Sentido" do Rui Veloso.
Dia 6 de Junho. Quase há 6 anos. Quase uma noite. Quase nada. Não me lembro de me levantar, agradecer o acolhimento, a noite que se gastou num entrelaçado de ossos e tendões.
Ainda houve mais uns telefonemas. Mais uns pedidos… Mais uns «Quando voltas ao Porto?»
Voltei. Mais vezes. Todas as semanas. Mas nunca mais a vi. Até ontem. Até me apresentar a pequena Luísa. Nome da Mãe, da tia da avô, nome perdido. Nome que gostava. Eu sei lá… fiquei enternecido quando a vi. Chocado quando me disse: É tua!
Vernáculo à moda do Porto. Imenso vernáculo contido na boca, como se fosse um vómito retido. Estômago às voltas como se não houvesse comida que se segurasse.
Qual chá…
Combinamos encontrar-mo-nos no Majestic!
Pedir um Cimbalino.
Não!
Pedir um Whisky duplo. Sem gelo. Bebê-lo de um trago. Não há café que segure a surpresa… Fazê-lo longe da miúda.
Apaixonar-me no instante antes. Angustiar no momento depois.
E agora?
Agora tenho uma filha. Vivo em Lisboa. Tenho as namoradas ocasionais a quererem ser mães de futuros rebentos… Isto vai ser complicado. Ou não…
Mas agora não penso noutra coisa.
Cor de avelã. Cabelos!
Azul do Mar. Olhos!
Sorriso! Meu, talvez!
Corpo da Mãe? Sei lá!
Filha minha? Após comprovação.
Filha minha? Se não for coração partido.
Paixão? De certeza.
Acordei ficar com ela um mês no Verão. Com as regras da casa transpostas. Se a Luísa se sentir mal, volta. Se quiser fica.
Começo a fazer planos.
A fazer caminhos.
A fazer o caminho em direcção à rotunda que só tem um sentido.
Não vejo outro caminho.
Também não quero.
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