Leio mal.
Leio mal o que escrevo.
Leio mal o que escreves.
Já me
disseste para mudar as lentes.
E leio lento.
Mudar a cor do ecrã, a resolução, do tamanho de letra, o
tamanho da palavra que se perde no meu pensamento.
Mas leio bem o mundo que me passa por ti.
Ias frondosamente pela rua.
Todos os passos ecoando.
Deixando um rasto perfumado pela chapa metálica torcida nos acidentes
que causas pelo decote que deixas leve.
Bamboleias esse traseiro que inveja causa nas mulheres que
passam. Mas eu vejo-te mal. Sobretudo ao perto. De perto nem te vejo de facto. Pareces-me
opaca.
Fico abimbalhado, com vontade pouco cavalheiresca de te
tocar com a audácia sobretudo porque és mulheraça.
Sim, não obstante termos 3 filhos e um casamento feliz,
ver-te o centro do mundo, fazendo do torpor dos outros, o combustível, dava-me
gozo infindável.
Não por seres o centro do mundo, mas porque o mundo se
centrava em ti. Como o meu olhar. Adorava ver os transeuntes que conheço como a
palma que vagueia os dias pelos mesmos ventos, vergarem-se pela tua entourage
de olhares perdidos e suplicantes de cruzamento. Ver solteiros e casados sem
vergonha ou demasiada, a perderem o tino com afinco, pisando os presentes que a
chuva deixava, encharcados até aos ossos pelo instante com que te cruzas com as
suas órbitas excêntricas.
Mulher, desvario.
Cujo o único som é o calcar das pedras.
E ainda bem…
Não gostaria que se perdessem na tua voz também.
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