Somos todos iguais
Somos todos iguais é algo que passo a vida a dizer-me em voz
alta.
Aliás, sou tão igual ao tipo que gregoria na cela ao lado da
minha.
Não me lembro de ter insultado a agente da autoridade. Mas eles andam com mão pesada no cassetete e leve na carteira.
Não me lembro de ter insultado a agente da autoridade. Mas eles andam com mão pesada no cassetete e leve na carteira.
Como recusei obedecer, ganhei estadia em quarto com 5
estrelas. Dois por tráfico, dois por roubo e eu por ofensa à autoridade.
Os tipos eram pessoas normais diga-se. Simplesmente tinham
alguns hábitos socialmente reprováveis pelos agentes da autoridade e pela maior
parte de nós.
Confesso também que estava bem bebido com Whiskys e Cubas Libres…
Era sexta.
Era sexta.
Mas pronto, nada que aquela agente de autoridade já não tivesse ouvido.
Ok, confesso. Também lhe apalpei o rabo.
Esqueci-me de dizer que era uma loira rija de corpo?
E bem articulada de palavra?
Que levou
ao chão sem que percebesse como?
Os companheiros de cela, irmanaram-me logo.
Dizem que gostavam de «foder» o juízo das autoridades.
Mas que eu tinha mesmo tentado fazê-lo. À séria.
Dizem que gostavam de «foder» o juízo das autoridades.
Mas que eu tinha mesmo tentado fazê-lo. À séria.
Tornei-me um herói improvável.
Quando o hotel se ia tornar de sete estrelas, os meus irmãos
de cela trataram logo de dizer aos recém chegados que «naquele copinho de leite não tocas, senão
és naifado até seres gaja…»
(Juro! foi o que percebi!).
A verdade é que o meu acto irreflectido tinha-me ganho a
admiração da rapaziada. E um olho roxo. Um braço dorido.
Mas que belo rabo. E o
distintivo que ficava bem assente. E os olhos...
Já perto das 6 da
manhã, a minha captora veio buscar-me.
Pensei que um dos meus amigos,antes ébrios, entretanto sóbrios, me tivesse pago a
fiança.
Acontece que tinha de ser presente ao juiz para que isso pudesse acontecer. E isso ainda não tinha acontecido.
A Helena, assim se chamava a agente que havia ofendido,
olhou para mim.
Conduziu-me para o átrio da esquadra.
Pediu a um colega para
me vigiar, sem no entanto ter-me algemado.
Achei estranho.
Mas acho que um
apalpão não merece algemas. Mesmo que seja legitimo trazer essas pulseiras de
metal naquele ambiente.
Disse que já voltava.
Regressou, já sem farda.
Agarrou-me, acenou ao colega em
agradecimento e saímos.
‒ Já estás mais sóbrio?
‒ Acho que sim. Agora vamos ao juiz, não?
‒ De certa forma vais ser julgado.
‒ Como assim?
Não houve mais diálogo.
Agarrou-me na mão.
Encostou-a ao seu
seio.
Beijou-me.
Voltei a casa dois dias depois.
Felizmente preso.
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