Ouvi há muito de uma pessoa que passou de raspão pela vida, que conhecer-me naquele momento tinha sido uma piada cósmica. Sim, tinha... Para ela!
O Cosmos costuma presentear quem tudo deseja, com alguma coisa e quem pouco quer, sendo muito, com pouca ou nenhuma.
Queixava ela de ter escolha. De poder escolher o seu rumo. E eu escolhi por ela não fazer parte dessa escolha.
Não se chama autopreservação. Chama-se inteligência. O nosso tempo só deve ser jogado no casino da vida, se nós assim escolhermos.
Não é difícil fazer escolhas. Tomar decisões, quando o que está em jogo são meras horas de vida. Não há empenho e não há custo...
Certo...
Não há custo...
O custo de uma esperança que surge e acaba, correndo o risco de se desfazer no momento em que tomamos consciência disso.
Ter esperança...
Na "Eneida" a determinada altura é dito que última esperança dos condenados é não terem esperança. E quando não se tem esperança apenas resta lutar.
A questão é que não estou condenado. Nem perdi a esperança. Estou apenas num buraco no tempo, onde tudo e nada acontece.
Preso entre dois momentos, entre passado e futuro. Preso no instante imediatamente antes e no imediatamente depois. Impedido de seguir para onde quero e de regressar a onde estive.
Este purgatório temporal, prisão dourada, na realidade não custa nada, dado que não tem tempo para passar.
E não é estático, pois movimenta-se, avançando e recuando o tempo conforme o momento de alma.
E de longe não sendo parecido com estagnação, não é mais do que o momento que se repete, sem esperança de mudar, mantendo a vida que passa, que não pára de se mutar.
Haja humor cósmico...
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