Hoje é segunda-feira, sem ter havido a primeira-feira.
Sem ter havido um passado que lhe desse intuito de ser
segunda. Apenas é um estado de espírito.
Eternamente segunda, eternamente segundo. Eternamente entalado
entre o descanso e o trabalho.
Entre o copo de vinho e a água sensaborona. Entre o doce
olhar e a ausência.
A segunda-feira. Maldita segunda que é primeira de alguns
dias. Que é o dia em que o meu corpo resiste ao sacrifício de se levantar do
chão. Que mantem acordado com o impulso do café matinal.
O dia em que finalmente a manhã clara e limpa se começa a
tornar a realidade pós-revolução…
Porque todos os dias após uma revolução são terças-feiras.
Porque todos os lamentos são quartas-feiras.
As quintas-feiras são a revolta que nos deixa o espírito.
As Sextas-feiras são um misto de resiliência brutal ao
abismo e um abraço doce que nos envolve.
O sábado é sagrado… Em que a cama nos acolhe um pouco mais e
o dia torna-se mais longo do que alguma vez foi e todos os outros.
O Domingo é um símbolo da resiliência. Da fé de que a Segunda-feira,
afinal a primeira de todas é apenas mais um dia, em que espero por ti.
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