«Não vale a pena criar uma expectativa de que me vou voltar a
cruzar contigo.
Afinal de contas, sei bem que nunca mais me vou cruzar
contigo. Não é um desejo, mas um anti-desejo que me leva a esse pensamento.
Sentir o teu olhar tocar as minhas mãos que te agarram a alma e o sorriso, num
misto de esmeralda verde água e carne tornada pele pálida, Sentir o ar que movimentas, na elegância do
momento que se dispersa pelo tempo em que me perco a olhar para a tua
fotografia. Aquela que tirei com o meu coração e o meu cérebro transposta para
um papel "matte", vindo do fundo da gaveta das memórias fotográficas que me vão
alimentando o desespero de voltar a encontrar a mulher com a qual sei que nunca
mais me vou cruzar…
Sim repito este esquema de alienação momentânea da realidade
verde-água, tornada esmeralda, diamante. Garanto assim a sobrevivência do caminho
sob os meus pés, aquele que aspira um dia ser o olhar que te abraça, verde
celeste.
Sei que nunca mais te vou ver.
É a minha triste sina.
Não.
Não triste.
Alegre.
Vi-te!
Ver-te.
Sentir aquele instante mágico que dura o tempo em que os teus
lábios tocaram a minha face, de barba por fazer…
Sim, esse momento dura.
Dura, sempre…
Mesmo que saiba que não te volto a ver.»
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