quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Copo do dia - A expectativa

«Não vale a pena criar uma expectativa de que me vou voltar a cruzar contigo.
Afinal de contas, sei bem que nunca mais me vou cruzar contigo. Não é um desejo, mas um anti-desejo que me leva a esse pensamento. Sentir o teu olhar tocar as minhas mãos que te agarram a alma e o sorriso, num misto de esmeralda verde água e carne tornada pele pálida,  Sentir o ar que movimentas, na elegância do momento que se dispersa pelo tempo em que me perco a olhar para a tua fotografia. Aquela que tirei com o meu coração e o meu cérebro transposta para um papel "matte", vindo do fundo da gaveta das memórias fotográficas que me vão alimentando o desespero de voltar a encontrar a mulher com a qual sei que nunca mais me vou cruzar…
Sim repito este esquema de alienação momentânea da realidade verde-água, tornada esmeralda, diamante. Garanto assim a sobrevivência do caminho sob os meus pés, aquele que aspira um dia ser o olhar que te abraça, verde celeste.
Sei que nunca mais te vou ver.
É a minha triste sina. 
Não. 
Não triste. 
Alegre. 
Vi-te!
Ver-te.
Sentir aquele instante mágico que dura o tempo em que os teus lábios tocaram a minha face, de barba por fazer…
Sim, esse momento dura.
Dura, sempre…

Mesmo que saiba que não te volto a ver.»

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