Eu tenho uma janela com vista para Lisboa.
Mas não é a cidade que eu amo.
Tenho um momento de sol, nessa janela,
Mas não é a estrela que me aquece.
Estou, com janela entreaberta, a sentir a brisa gelada,
Aquecida pelo calor do meu corpo que pensa em ti.
Tremo com o frio que passa pela espinha,
Com a memória cutânea de tocar de peles que é lembrança.
De um sabor que fica amargo pela ausência,
Mas que também sentia doce.
Um cheiro,
Que fora o sexo,
Fora o perfume,
Fora tudo o que não era teu…
Era simplesmente aconchegante.
Aninhava-me nele e deixava-me ir.
Adormecendo com as palavras tontas que são aquelas proferidas
quando só estamos entre o céu e o sonho….
E depois…
Nada…
Fica uma tatuagem emocional.
Uma paixão partida antes de tempo.
Fico eu, com janela entreaberta, a sentir a brisa gelada,
Uma janela com vista para Lisboa.
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